quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Análise - Resoluções de 2013

    Se é bem verdade que 2013 foi um ótimo ano para o cinema - a safra de filmes foi bem melhor que a de 2012, por exemplo -, com certeza isso não ocorreu por causa dos longas que listei aqui no ano passado como os que mais estava ansioso para assistir no ano que passou. Vem comigo dar uma olhada no que eu achei dos filmes:

10. "Guerra Mundial Z"




    "Guerra Mundial Z" nem merece pertencer ao subgênero "filme de zumbi" - só a ausência quase total de sangue já o impede -. Na verdade, nada mais é do que um filme de ação em que os "inimigos" são os mortos-vivos. Há quem diga que este é o novo rumo do subgênero no século XXI, espero que roteiristas e diretores notem que não é por aí o quanto antes, então. O filme até é competente, principalmente em seu início. O prólogo, que mostra o início da infecção do vírus, é interessante e bem realizado. Entretanto, este o único momento de frescor do longa. O que se sucede nada mais é do que todos os clichês do gênero empilhados, numa abordagem absolutamente convencional. É um filme que não toma riscos narrativos ou técnicos, cumprindo apenas seu papel: um bom filme de ação que estabelece muito bem um clima de urgência e adrenalina. E nada mais.

Nota 6/10




9. "O Homem de Aço"



    Da mesma forma que vários fracassos da Marvel ("Capitão América: O Primeiro Vingador", "Homem de Ferro 3"...) comprovaram o problema da "linha cinematográfica" seguida pelos seus filmes - mais voltados para a diversão -; "O Homem de Aço" exemplifica o lado negativo da seriedade que vem sendo implantada nos filmes da DC, via Christopher Nolan. A direção de Zack Snyder é absolutamente irritante, com uma câmera trêmula aliada a uma montagem cheia de cortes secos. O roteiro é raso como uma colher de chá - apesar de tentar a todo custo demonstrar o contrário - e possui diversos problemas estruturais. Henry Cavill também não convence como o Homem de Aço (mas, a essa altura, qualquer coisa é melhor que Brandon Routh, do filme de 2005). Além disso, se a direção de Snyder já não ajuda, os efeitos especiais muito duvidosos - CGI over notável - atrapalham ainda mais as cenas de ação. E aí, sobra o quê para salvar?

Nota 4/10


8. "Diana"



    De candidato às premiações até se tornar uma das "bombas" do ano. De ter Naomi Watts como cotada ao Oscar de Melhor Atriz até esta ser indicada ao Framboesa de Ouro (em que se leve em conta, claro, a irrelevância do prêmio e os vários motivos pelos quais a atriz não deveria ter sido indicada). "Diana" foi uma absoluta decepção geral. Muitos desistiram do longa - como eu - que só o assisti para fechar este post. O filme conta os últimos anos de vida da princesa... bem, na verdade, "conta". O diretor Oliver Hirschbiegel e seu roteirista Stephen Jeffreys praticamente fazem uma livre adaptação da vida de Diana, sustentando-se majoritariamente em rumores e exageros. Aqui, a princesa está mais para princesa da Disney - bondosa, apaixonada, inocente e que faz de tudo pelo "Príncipe Encantado". Por fim, se torna um filme irritante - por mostrar algo que obviamente não foi real -, inofensivo - pois duvido que alguém ainda lembre que este filme existe - e desnecessário.

Nota 4/10


7. "Amor Pleno"




    Terrence Malick é um diretor difícil. A experiência de assistir a seus filmes demanda boa vontade, concentração total e atenção aos detalhes, para dizer o mínimo. Em "Amor Pleno", o diretor manteve muito da estrutura de seu filme anterior, o indicado ao Oscar "A Árvore da Vida", mas a qualidade ficou abaixo. Estão ali presentes a belíssima fotografia e o ótimo trabalho de direção, mas tanto no roteiro quanto na realização, os problemas ficaram maiores. O que em "A Árvore da Vida" já não funcionava muito bem, aqui se expande - e muito. O roteiro, que aborda o amor e suas formas, não resulta tão completo e profundo como em seu filme anterior. Desta forma, mesmo as belas imagens que aparecem na tela não alcançam seu potencial e soam redundantes e deslocadas. As quase duas horas de filme se tornam maçantes, cansativas e intermináveis. Uma decepção.

Nota 5/10.



6. "Os Amantes Passageiros"





    Pedro Almodóvar talvez tenha feito seu pior filme (não posso afirmar com certeza, posto que não terminei de ver toda sua filmografia). Só com muito esforço para alcançar algo mais problemático que "Os Amantes Passageiros". A história se passa dentro de um avião em pane, impossibilitado de pousar em segurança. O avião, na verdade, se comporta como uma metáfora para a crise econômica espanhola. Os passageiros da classe econômica - o povo - dopados em sono profundo; uma primeira classe transloucada - os ricos -; e uma tripulação que esconde o verdadeiro problema com o avião - o governo -. Entretanto, a metáfora não sustenta o filme. Almodóvar realiza um longa cheio de excessos, piadas fracas e ritmo problemático. Um filme menor. Minúsculo.

Nota: 3/10



5. "O Lobo de Wall Street" (não foi lançado)





    O ano de 2013 também serviu para mostrar - mais uma vez - como a distribuição brasileira de filmes é ruim. O filme de Martin Scorsese só estreará por aqui no dia 24 de janeiro - um mês após a estreia americana e atrasado até em relação aos nossos vizinhos latinos. Portanto, fiquei sem ver o filme até a data da publicação desta lista. Quando o filme estrear, escrevo uma crítica sobre ele aqui no blog (se os deuses e astros estiverem favoráveis à minha boa vontade).









4. "Sin City: A Dame to Kill For" (não foi lançado)








    Filme foi adiado para 2014. :(













3. "O Grande Gatsby"



    Baz Luhrmann despontou para o conhecimento do mundo com o seu segundo longa "Romeu + Julieta", uma versão moderna do clássico de Shakespeare; mas foi com "Moulin Rouge - Amor em Vermelho" que o diretor australiano atraiu a atenção de público e crítica. Isso, de certa forma, foi sua glória e sua queda. Se o musical é, de fato, um grande filme; após ele, Luhrmann não conseguiu criar algo que chegasse aos seus pés. "Austrália" foi um grande fracasso e "O Grande Gatsby" não deixou de ser uma decepção. O diretor parece tentar recriar a qualquer custo o longa de 2001 e repetir seu sucesso. A primeira metade do filme é um festival de afetação e exagero - quase insuportável (tal qual seus personagens). Na segunda, o filme entra nos eixos, os personagens se desenvolvem e a história ganha, enfim, alguma profundidade. Tecnicamente, claro, é um filme belíssimo (fotografia, direção de arte e figurino); mas Luhrmann acaba por criar uma armadilha para si mesmo.

Nota: 6/10


2. "Machete Mata"








    Crítica para o filme, no blog, aqui.












1. "Ninfomaníaca - Volume 1"



    O novo filme de Lars Von Trier passou por diversos entraves em seus bastidores e, por fim, o diretor dinamarquês teve de aceitar as imposições de seus produtores: seu filme sobre uma viciada em sexo passou por uma censura prévia e foi dividido em duas partes (a segunda será lançada no Brasil em março, segundo a distribuidora). De 5h30, o filme passou para dois volumes de 2h cada um. O primeiro volume, que estreou no começo deste ano, se trata evidentemente de uma obra incompleta. A protagonista, Joe, ainda é uma jovem e é interpretada por Stacy Martin - que está muito bem, inclusive. Charlotte Gainsbourg (de "Melancolia") aparece aqui apenas como uma narradora. Apesar disso, este "primeiro ato" de "Ninfomaníaca" é um filme eficiente - na verdade, não se trata de um filme sobre sexo, mas sim, um estudo de personagem. Os destaques do longa ficam, com certeza, para a sempre bela direção de fotografia de Manuel Alberto Claro e para Uma Thurman - em chamas - que protagoniza o melhor momento do filme. Semana que vem posto uma crítica do filme, stay tuned.

Nota: 8/10

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Crítica - The Following (Primeira Temporada)



     No dia 19 de janeiro, a série The Following volta à tela da FOX americana exibindo a premiere de sua segunda temporada. Criada por Kevin Williamson, o roteirista da franquia de terror "Pânico", The Following fez algum barulho com sua primeira temporada, entrando na lista dos vinte programas mais vistos da TV americana. E aqui vão os meus motivos para você NÃO dar uma chance para a série.


     A história é a do serial killer Joe Carroll (James Purefoy, de "Solomon Kane - O Caçador de Demônios") que escapa do corredor da morte e volta a cometer seus crimes, os quais são sempre inspirados na obra de Edgar Allan Poe. Então, é chamado de volta à ativa, para contê-lo, o ex-agente do FBI que o prendeu: Ryan Hardy (Kevin Bacon, de "Sobre Meninos e Lobos"). Desta vez, porém, Joe utilizou seu tempo na prisão para criar um culto em volta de si e conquistar seguidores que o ajudassem a cometer seus assassinatos.

     O primeiro episódio da temporada é excelente, não há como negar. Seu enredo observa o primeiro ato de Carroll ao fugir: perseguir a única sobrevivente de seus crimes anteriores. O episódio é movimentado e abre espaço para a criação de uma pesada tensão entre os dois protagonistas, fundada principalmente na qualidade do texto, na revelação de todo o grande plano do assassino e na dissecação dos personagens - Joe é um carismático vilão que vê todo o sentido no que faz, Ryan é um atormentado e solitário anti-heroi. Há ainda espaço para algumas interessantes reviravoltas e tudo parecia seguir um caminho interessante de série policial.

     Entretanto, com o passar dos episódios toda essa expectativa começa a cair por terra. Os primeiros até conseguem manter um pouco da sensação de frescor e qualidade da premiere, todavia, com o passar do tempo, o que dá para sentir assistindo à série é apenas que estamos sendo feitos de bobos. São utilizados à exaustão os mais variados clichês policiais e não há qualquer pingo de originalidade. Os problemas não seriam estes se, pelo menos, não insultassem nossa inteligência, né?

    O roteiro da série começa a se apoiar em saídas fáceis e no irreal. Aqui temos uma polícia americana absurdamente incompetente - incontáveis vezes os seguidores de Carroll conseguem fugir do FBI e, inclusive, se infiltrar em meio às suas equipes táticas. E, claro, toda vez que a situação complica para os vilões, aparece algum novo seguidor do serial killer que "sempre-esteve-ali-aguardando-esse-dia-chegar" para retardar as investigações, impedir o resgate da vítima etc. Isso sem mencionar que a primeira metade da série se apoia na tentativa de resgatar uma pessoa sequestrada e a segunda no... resgate de outra pessoa sequestrada.

     Quanto às interpretações, Bacon está bem, mas nada de outro mundo. Purefoy está naquela interpretação "fácil" de vilão simpático e não dá qualquer profundidade ao personagem (cinismo e sorrisinho não contam, tá?). Os destaques interpretativos para mim foram Natalie Zea (a ex-mulher de Joe, que é apaixonada por Ryan) e Annie Parisse (policial que acompanha Ryan nas investigações) que tornam suas personagens, as quais não são lá muito exploradas pelo roteiro, interessantes.

     Para finalizar, o maior motivo para não chegar perto da segunda temporada: o final cretino da primeira. Ok, já que eu estava sofrendo mesmo, que fosse até o fim para ver o que acontecia, né. E simplesmente fizeram uso de... saídas fáceis. O confronto final (que de final não terá nada) se resolve de maneira tola e... nem vou falar nada da "surpresa" final. Medíocre. Mais uma série medíocre de fácil digestão para o grande público.

Nota: 5/10

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crítica - Shame


     Brandon (Michael Fassbender, de "X-Men: Primeira Classe") é um homem rico, bem-sucedido, viciado em sexo e solitário; que tem sua rotina diária de prazer ilimitado e sem significado interrompida pela chegada de sua irmã, Sissy (Carey Mulligan, de "O Grande Gatsby"), que sofre por não conseguir se firmar em um relacionamento amoroso. Duas almas em profundo sofrimento. E que me atingiram como uma avalanche.

    Eu consigo lembrar exatamente o sentimento que tive ao final de Shame. Só não consigo explicar. Um dia nublado em São Paulo. Eu saindo do cinema da Livraria Cultura. Fiquei andando pela avenida Paulista - indo e voltando num loop - por mais de uma hora, a fim de digerir aquilo tudo. Ah, a catarse... como é bom quando um filme deixa uma marca em você, né? Porque os detalhes dele você pode até esquecer, mas aquilo que ele te causou vai ficar impregnado na sua mente. Shame me fez sentir, me perturbou, me deixou vulnerável, me atropelou.

    É complicado escrever uma crítica para este filme. Críticas demandam tecnicidade, objetividade... Normalmente, uma estrutura de "sinopse-elogio-elogio-defeito-defeito-ressalva-acerto-nota". E o maior elogio que eu poderia fazer ao filme é puramente subjetivo. Se o cinema é feito de sensações, Shame constituiu uma das minhas maiores - e mais perturbadoras. Todavia, mesmo depois de horas encarando o notebook, demorei a colocar em palavras a forma como ele me destruiu.

    Com certeza a atuação precisa, sensacional, memóravel - insira mais quantos adjetivos positivos quiser - de Michael Fassbender no papel principal foi uma delas. Mas não foi só isso. A belíssima cena de Carey Mulligan e sua frágil Sissy cantando "New York, New York" em uma versão absolutamente sensível ajudou, é claro. Ah, temos a direção primorosa de Steve McQueen, que faz um dos melhores usos da câmera e seus enquadramentos dos últimos tempos.

    Também já coloquei na conta o trabalho de roteiro do próprio McQueen e Abi Morgan que constrói o forte contraponto entre os personagens de Fassbender e Mulligan de forma brilhante até que cheguemos ao inevitável conflito final que... ah, as palavras faltando de novo. Não há cena, enquadramento ou diálogo inútil. Tudo ali é importante. Tudo ali é fundamental na construção das personalidades, dos sofrimentos internos, das emoções de ambos os personagens. Uma vez que, apesar de o personagem principal ser Brandon, sua irmã não está presente tão somente como um contraponto. 

     Na verdade, Shame não observa só o vício em sexo. Observa o elemento sexual. De maneira crua, sem fetiches. Isso está presente desde a cena inicial com o nu frontal de Fassbender até o final. Final que diz muito. Ele resume o que é o filme: as respostas estão nos olhares, na expressão do personagem, nos enquadramentos. E é tudo isso. Junto e espalhado pelos 99 minutos do longa, que tornou Shame um de meus filmes preferidos, me destruiu e me deixou pensativo por horas.
    
Nota: 9/10

sábado, 11 de janeiro de 2014

Lista - Os Melhores Singles de 2013

    O ano de 2013 pode ter acabado. Mas as listinhas de fim de ano, estas ficam circulando ainda por janeiro e com o blog voltando à ativa - veremos por quanto tempo -, a primeira lista que postarei não será sobre cinema. Será sobre... música, a minha amante das horas vagas. Selecionei meus vinte singles preferidos entre os lançados no ano que passou. 
    Ênfase na palavra "single", para que não venham me dizer que deixei de lado aquela b-side perfeita daquele artista maravilhoso daquele CD que todo mundo ama. Ênfase em "no ano que passou", porque muita coisa boa, mas lançada em 2012, ficou de fora ("Royals", "Same Love", "Safe and Sound"...). 
    Aí tem coisa que quase ninguém conhece, tem hits radiofônicos, tem babado, tem confusão e só tem coisa boa.

20. Counting Stars - OneRepublic


                                       Em 2013, nós sonhamos em contar estrelas com a nossa crush.

19. Think Of You - MS MR


                  E em 2013, nós continuamos pensando nela, mesmo depois das merdas que ela nos fez passar.

18. The Wire - HAIM


                                                Em 2013, nós nos atrapalhamos quando tudo ficou por um fio.

17. Tennis Court - Lorde


                                              Em 2013, a Lorde nós convidou para sermos os palhaços da turma.

16. Come A Little Closer - Cage The Elephant


                                                 Em 2013, as coisas não eram o que pareciam ser.

15. Up In The Air - 30 Seconds To Mars


                              Em 2013, nós nos perguntamos se ali era o fim, porque pior não dava para ficar.

14. Applause - Lady Gaga


     Em 2013, Lady Gaga viveu pelo aplauso, porque só assim para aguentar tanta gente falando merda sobre ela.

13. XO - Beyoncé


               Em 2013, nós só vimos um rosto no meio da multidão - o da Beyoncé ganhando dinheiro como nunca.

12. Dance Apocalyptic - Janelle Monáe


                                 Em 2013, nós dançamos apocalipticamente nos badalos monstros da vida.

11. Sacrilege - Yeah Yeah Yeahs


                            Em 2013, não teve Silas Malafaia que nos impedisse de cometer nossos sacrilégios.

10. XXX 88 (feat. Diplo) - MØ


                              Em 2013, pelo menos nós sabiamos que o céu continuaria azul para sempre.

9. Burn - Ellie Goulding


                            Em 2013, nós fomos as estrelas da raça humana e deixamos a porra toda queimar.

8. Wake Me Up! (feat. Aloe Blacc) - Avicii


                        Em 2013, nós quisemos pular essa parte chata da vida e só acordar quando ela acabasse.

7. Just Give Me A Reason (feat. Nate Ruess) - P!nk


                           Até porque estava difícil nos darem alguma razão para acharmos o contrário, né.

6. The Phoenix - Fall Out Boy


                                                    Em 2013, o Fall Out Boy retornou das cinzas.

5. Do I Wanna Know? - Arctic Monkeys


        Em 2013, a gente queria saber se a outra pessoa também ficava checando o WhatsApp de um em um minuto.

4. Wrecking Ball - Miley Cyrus


        E, como uma bola destruidora, vinha a resposta de que sim, ficava checando - a conversa com aquele outro.

3. Mirrors - Justin Timberlake


                               Porque parecia difícil para ela entender que éramos dois reflexos em um.

2. Do What U Want (feat. R Kelly) - Lady Gaga


                           Em 2013, nós pedimos que fizessem o que quisessem com nosso corpinho.

1. Get Lucky (feat. Pharrell Williams) - Daft Punk


                        Mas, em 2013, nós definitivamente ficamos acordados a noite toda para nos darmos bem.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Previsão - Golden Globes 2014

    Let the games begin... As premiações de início de ano começam com o Globo de Ouro no próximo domingo (12), que é o primeiro grande termômetro para o Oscar. As possibilidades de cada filme já foram ficando mais claras com as entregas do prêmios das diversas associações de críticos que o mundo tem por aí, mas é com o Globo de Ouro e depois os prêmios de cada sindicato (diretores, atores etc.) que a coisa fica mais séria. Além disso, existem os prêmios de TV. Vem comigo dar uma olhada nas minhas apostas. 

(Em negrito e grifado, os favoritos; com um (R) na frente, os runner-ups)



Melhor filme (drama)
"12 Anos de Escravidão"
"Capitão Phillips"
"Gravidade" (R)
"Philomena"
"Rush - No Limite da Emoção"


    Aqui o embate (que deve seguir depois para o Oscar) é entre "12 Anos de Escravidão" e "Gravidade", com o primeiro levando vantagem. Qualquer outra vitória seria extremamente chocante.







Melhor filme (musical/comédia)
"Trapaça"
"Ela"
"Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum"
"Nebraska"
"O Lobo de Wall Street" (R)


Praticamente não há competição para "Trapaça". O filme de David O. Russell já é queridinho da crítica e as únicas possibilidades de derrota são uma improvável vitória de "Ela" ou alguma súbita vontade da HFPA em premiar Scorsese mais uma vez, com "O Lobo de Wall Street". Recentemente já houve uma surpresa neste sentido quando Martin venceu como Melhor Diretor por "A Invenção de Hugo Cabret" e desbancou os favoritos Michel Hazanavicius ("O Artista") e Alexander Payne ("Os Descendentes").



 
Melhor ator (drama)
Chiwetel Ejiofor - "12 Anos de Escravidão"

Idris Elba - "Mandela: Long Walk to Freedom"
Tom Hanks - "Capitão Phillips"
Matthew McConaughey - "Dallas Buyers Club"
Robert Redford - "All is Lost" (R)

    O prêmio de Melhor Ator em Drama tem três concorrentes principais: Chiwetel Ejiofor, Matthew McCounaghey, Robert Redford; qualquer outra coisa é zebra. Para o Oscar, o primeiro é favoritíssimo, mas se tratando de Globo de Ouro, é sempre importante lembrar a tendência que seus votantes possuem em dar o prêmio para os nomes mais famosos que também tenham tido atuações festejadas pela crítica, ou seja, Redford e McConaughey. Ao lado do último, o fato de ter sofrido uma grande transformação física para o papel; já de Redford, nunca ter ganhado o prêmio (ou sido indicado) em seus quase cinquenta anos de carreira.




Melhor atriz (drama)
Cate Blanchett - "Blue Jasmine"
Sandra Bullock - "Gravidade" (R)
Judi Dench - "Philomena"
Emma Thompson - "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"
Kate Winslet - "Refém da Paixão"

    As outras quatro podem até ficar em casa, porque, se alguém tirar esse prêmio de Cate Blanchett, será um susto enorme.








Melhor ator (musical/comédia)
Christian Bale - "Trapaça"
Bruce Dern - "Nebraska"
Leonardo Dicaprio - "O Lobo de Wall Street" (R)
Oscar Isaac - "Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum"
Joaquin Phoenix - "Ela"


    Com o passar dos anos o Globo de Ouro se tornou o contrário do Oscar quanto a Leonardo DiCaprio. Enquanto nele o ator tem indicação certa, no Oscar será sempre azarão. Só essa predileção da HFPA por ele pode tirar o prêmio do favorito Bruce Dern.







Melhor atriz (musical/comédia)
Amy Adams - "Trapaça" (R)
Julie Delpy - "Antes da Meia-Noite"
Greta Gerwig - "Frances Ha"
Julia Louis-Dreyfus - "À Procura do Amor"
Meryl Streep - "Álbum de Família"

    Com três indicações "indie" (Delpy, Louis-Dreyfus e principalmente Gerwig), a categoria ficou ainda mais disputada entre Amy Adams e Meryl Streep. A primeira nunca ganhou, mas já teve quatro indicações; a segunda já possui sete estatuetas em casa. Fica a dúvida entre uma recompensa pelos "bons serviços prestados" ao longo da carreira ou a vitória da queridinha.





Melhor ator coadjuvante
Barkhad Abdi – "Capitão Phillips"
Daniel Bruhl – "Rush - No Limite da Emoção"
Bradley Cooper – "Trapaça"
Michael Fassbender – "12 Anos de Escravidão" (R)
Jared Leto – "Clube de Compras Dallas"


    Jared Leto competindo com Cate Blanchett para saber qual dos dois é mais favorito em suas respectivas categorias.









Melhor atriz coadjuvante
Sally Hawkins - "Blue Jasmine"
Jennifer Lawrence - "Trapaça" (R)
Lupita Nyong'o - "12 Anos de Escravidão"
Julia Roberts - "Álbum de Família"
June Squibb - "Nebraska"

    Depois da esnobada dada em Oprah Winfrey ("O Mordomo da Casa Branca"), a favorita se tornou Lupita Nyong'o. Mas Jennifer Lawrence também tem boas chances de vitória, mesmo tendo vencido no ano passado, uma vez que, se a HFPA já deu dois prêmios para Kate Winslet em um mesmo ano (Melhor Atriz em Drama por "Foi Apenas um Sonho" e Atriz Coadjuvante por "O Leitor", em 2009), dar em anos subsequentes para Lawrence não seria nenhuma surpresa.



Melhor diretor
Alfonso Cuarón - "Gravidade"
Paul Greengrass - "Capitão Phillips"
Steve McQueen - "12 Anos de Escravidão" (R)
Alexander Payne - "Nebraska"
David O. Russell - "Trapaça"

    A disputa aqui fica entre Cuarón, McQueen e O. Russell. Talvez prevaleça um velho sistema das premiações: Melhor Filme para um, Melhor Diretor para outro e vitória de Cuarón.








Melhor roteiro
Spike Jonze - "Ela"
Bob Nelson - "Nebraska"
Jeff Pope e Steve Coogan - "Philomena"
John Ridley - "12 Anos de Escravidão"
Eric Singer e David O. Russell - "Trapaça" (R)


    Se "Philomena" e "Ela" não eram favoritos nem para as indicações, imagine para a vitória. A dúvida fica principalmente entre "12 Anos de Escravidão" e "Trapaça". Mas John Ridley me parece ser o provável vencedor, o que coroaria "12 Anos de Escravidão" como o definitivo favorito ao Oscar.




Melhor filme em língua estrangeira
"Azul é a Cor Mais Quente" (França)
"A Grande Beleza" (Itália) (R)
"A Caça" (Dinamarca)
"O Passado" (Irã)
"Vidas ao Vento" (Japão)

    A vitória deve ficar com "Azul é a Cor Mais Quente" (que não é elegível para o Oscar, by the way). "A Grande Beleza", de Paolo Sorrentino, pode ser considerado como uma segunda possibilidade; mas qualquer um dos indicados tem chances de vencer.







Melhor longa animado
"Os Croods" (R)
"Meu Malvado Favorito 2"
"Frozen - Uma Aventura Congelante"

    Com a exclusão das animações estrangeiras da categoria, apostaria minha mesada toda na vitória de "Frozen". "Os Croods" e "Meu Malvado Favorito 2" não são nem de longe adversários do mesmo nível.










Melhor trilha sonora original
"All is Lost"
"Mandela: Long Walk to Freedom"
"Gravidade"
"A Menina que Roubava Livros" (R)
"12 Anos de Escravidão"


    Os três favoritos são: Hans Zimmer por "12 Anos de Escravidão", John Williams por "A Menina que Roubava Livros" e Steven Price por "Gravidade". O último é o favorito, principalmente pela forte presença que a trilha (e sua ausência em alguns momentos, é verdade) tem no filme.







Melhor canção original
"Atlas" - "Jogos Vorazes - Em Chamas"
"Let it Go" - "Frozen - Uma Aventura Congelante"
"Ordinary Love" - "Mandela: Long Walk to Freedom" (R)
"Please Mr Kennedy" - "Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum"
"Sweeter Than Fiction" - "One Chance"

    O jeitinho Globo de Ouro de ser, adorando um tapete vermelho povoado de gente famosa sempre ficou óbvio nessa categoria, e agora não foi diferente. E só é essa lógica que já premiou muita coisa duvidosa que pode tirar o prêmio de Idina Menzel e sua "Let it Go".







Melhor série (drama)
"Breaking Bad"
"The Good Wife"
"House of Cards" (R)
"Masters of Sex"
"The Newsroom"


    "Breaking Bad" deve levar tudo que está disputando, mas não se pode deixar de lado o sucesso (e a qualidade) de "House of Cards".









Melhor atriz em série dramática
Tatiana Maslany - "Orphan Black" (R)
Taylor Schilling - "Orange is the New Black"
Kerry Washington - "Scandal"
Robin Wright - "House of Cards"
Julianna Margulies - "The Good Wife"

    A disputa será entre as estreantes Tatiana Maslany e Kerry Washington, com o crescente sucesso de "Scandal" em terras americanas favorecendo a segunda.








Melhor ator em série dramática
Liev Schreiber - "Ray Donovan"
Bryan Cranston - "Breaking Bad"
Michael Sheen - "Masters of Sex"
Kevin Spacey - "House of Cards" (R)
James Spader - "The Blacklist"


    A disputa da categoria principal se mantém para Melhor Ator em série dramática e aqui Kevin Spacey e "House of Cards" possuem maiores chances de vitória, ainda que Bryan Cranston seja o grande favorito.









Melhor série (comédia / musical)
"The Big Bang Theory"
"Brooklyn Nine-Nine"
"Girls" (R)
"Modern Family"
"Parks and Recreation"

   A HFPA não foi lá muito criativa nas indicações e só temos "Brooklyn Nine-Nine" de estreante. A primeira vitória de "The Big Bang Theory" ou a repetição de 2013 com "Girls" sendo vencedora?








Melhor atriz em série musical ou de humor
Zooey Deschanel - "New Girl"
Julia Louis-Dreyfus - "Veep"
Lena Dunham - "Girls"
Edie Falco - "Nurse Jackie"
Amy Poehler - "Parks and Recreation" (R)

    Todas já foram indicadas ao Globo de Ouro por esses papéis. Zooey Deschanel continua como zebra, tal qual em 2013; Lena Dunham, vencedora do ano passado, não deve repetir o feito;  e Edie Falco deve acumular sua sexta indicação seguida sem vitória (contando duas por "Família Soprano"). Será que Amy Poehler levará sua primeira estatueta ou Julia Louis-Dreyfus terá sua segunda vitória, vinte anos após a primeira com "Seinfeld"?




Melhor ator em série musical ou de humor
Jason Bateman - "Arrested Development"
Don Cheadle - "House of Lies"
Michael J. Fox - "The Michael J. Fox Show"
Andy Samberg - "Brooklyn Nine-Nine"
Jim Parsons - "The Big Bang Theory" (R)

    A única coisa que pode tirar a vitória de Michael J. Fox é o conservadorismo da HFPA em dar o prêmio para Jim Parsons.









Melhor minissérie ou telefilme
"American Horror Story: Coven" (R)
"Behind the Candelabra"
"Dancing on the Edge"
"Top of the Lake"
"The White Queen"

    Se "Behind the Candelabra" perder, a vida não faz mais sentido.









Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Hayden Panettiere - "Nashville"
Monica Potter - "Parenthood"
Janet McTeer - "The White Queen" (R)
Jacqueline Bisset - "Dancing on the Edge"
Sofia Vergara - "Modern Family"

    Todas as cinco têm boas chances de vitória, mas Sofia Vergara deve enfim ter sua estatueta.









Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Josh Charles - "The Good Wife"
Rob Lowe - "Behind the Candelabra"
Aaron Paul - "Breaking Bad"
Corey Stoll - "House of Cards"
Jon Voight - "Ray Donovan" (R)


    Devemos ter mais uma vitória de "Breaking Bad", mas Jon Voight e Josh Charles correm por fora.









Melhor atriz em uma minissérie ou telefilme
Helena Bonham Carter - "Burton and Taylor"
Rebecca Ferguson - "The White Queen"
Jessica Lange - "American Horror Story: Coven"
Helen Mirren - "Phil Spector"
Elisabeth Moss - "Top of the Lake" (R)

   Jessica Lange pode ser uma favorita do público, mas a vitória deve ficar com Helena Bonham Carter e seu papel como Elizabeth Taylor. Lange é apenas uma segunda possibilidade à essa vitória, porque a primeira é Elisabeth Moss.




Melhor ator em uma minissérie ou telefilme
Matt Damon - "Behind the Candelabra" (R)
Chiwetel Ejiofor - "Dancing on the Edge"
Idris Elba - "Luther"
Al Pacino - "Phil Spector"
Michael Douglas - "Behind the Candelabra"


    Dificilmente alguém tirará a estatueta de Michael Douglas e sua interpretação do pianista estadunidense Liberace.