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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Balanço de Dezembro (Parte II)

    Acabou Dezembro, acabou o ano... E vim terminar o meu balanço quinzenal. Separei mais dez filmes entre os que eu assisti nessas duas semanas. 

10. Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011)
    
    O novo filme sobre a temática ''Planeta dos Macacos'', que teve seu primeiro longa em 1968, apresenta a origem para tudo o que ocorreu. A história é de Will Rodman (James Franco) que busca a cura para o Alzheimer, entretanto seus experimentos (realizados em símios), acabam criando macacos com cérebros super desenvolvidos. 
     Um deles, Caesar (Andy Serkis, espetacular), ao se sentir traído pelos homens, acaba gerando um sentimento de vingança geral em seus companheiros de espécie. O filme funciona bem como crítica (e cinema) quando está nas cenas no laboratório ou no cativeiro, porém é como a vacina criada por Will, no mundo real, perde (muita) força.  Nota: 7/10






9. O Lutador (The Wrestler, 2008)

    O longa do diretor Darren Aronofsky (de ''Cisne Negro'') se baseia na vida de Randy Robinson (Mickey Rourke), um lutador profissional próximo da aposentadoria e que já foi famoso no país todo, mas que agora mora num trailer alugado, vive de bicos num supermercado e sem contato com a filha. 
     O que separa o filme de um punhado de filmes do mesmo gênero é a boa direção de Aronofsky, a brilhante interpretação de Rourke e o toque de realidade que o filme tem durante toda a sua duração (incluindo o seu final, lindo).   Nota: 8/10










8. Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010)

    O filme, que possui esse péssimo título nacional, fala de um casal que tenta superar a tragédia da perda do filho. O longa retrata o luto, obviamente, o que não é exatamente um tema fácil e acerta no ponto. Nicole Kidman, como a mãe, está linda e excelente. Aaron Eckhart é o pai e está eficiente como sempre. 
     As emoções sentidas pelo público são puras e genuínas, em um filme que se teve uma concepção bela, teve também sua parte ''prática'' bem realizada.    Nota: 8/10










7. Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)

    Entre os mais célebres da fase britânica do mestre Hitchcock, o filme narra a história de Richard Hannay (Robert Donat), que está de férias em Londres e conhece uma mulher misteriosa, a qual lhe envolve em uma trama que envolve um espião que pretende roubar um segredo da Inglaterra. Mesmo correndo perigo e sendo procurado pela polícia, ele parte em busca da solução do mistério, após a mulher ser assassinada. 
     O longa surpreende por fugir do óbvio em vários momentos (sim, isso em 1935) e a direção do tio Hitch é excelente, como sempre, gerando cenas de verdadeiro suspense e já mostrando traços de seu humor negro que protagonizaria alguns filmes seus nos anos seguintes.   Nota: 8/10









6. Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010)

    A sinopse é simples: um escritor inglês (William Shimell), na Itália para divulgar seu novo livro, encontra uma mulher francesa (Juliette Binoche, excelente) e viaja com ela para San Gimignano. 
    Mas o que vinha por aí era bem maior e, se no começo do filme, cópia e peça original são colocadas em uma ótima discussão, tudo se transforma aos poucos (e lindamente) em uma complexa obra sobre a vida como ela é, como queremos que ela seja e como a vemos. E toda essa problemática foi muito bem guiada por Kiarostami.    Nota: 8/10










5. Rain Man (idem, 1988)

    Quando o pai de Charlie Babbitt (Tom Cruise, em uma boa atuação) morre, ele descobre que possui um irmão e que toda a fortuna do pai ficou com esse parente desconhecido. Ao ir encontrá-lo, em busca de parte do dinheiro, descobre que ele é autista e com o passar do tempo, vai aprendendo a conviver com ele e sobre a vida.
     A construção da relação entre os irmãos é belíssima, linda mesmo. Não há como não se afeiçoar à Raymond Babbit (Dustin Hoffman, impressionante), o irmão autista, ou à relação entre os dois. Tudo é construído lentamente, como se nós também estivéssemos aprendendo a conviver com aquilo. No fim, fica o deslumbre e a emoção com a relação, uma desnecessária parte em Las Vegas e um irretocável estudo familiar.   Nota: 8/10







4. Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922)

    A obra, integrante do Expressionismo Alemão e dirigida por Murnau, se mostra uma adaptação acima da média para a adaptação da história de Bram Stoker, sobre o Conde Drácula e que todo mundo conhece.
    O contexto da obra parece se relacionar instantaneamente com o estilo expressionista, o que a exalta ainda mais. E, se ele sendo um filme de 1922 ainda consegue gerar um bom nível de tensão, aqui temos uma obra excelente, não? Os personagens com caracterização exagerada, tal qual o cenário, também são os pontos fortes do filme (e no que vemos a influência expressionista).   Nota: 8/10









3. Interlúdio (Notorious, 1946)

    Mais um filme de Alfred Hitchcock na lista.''Interlúdio'' se passa no Rio de Janeiro e conta a história de Alicia (Ingrid Bergman), que começa a trabalhar como espiã pelos EUA, após a prisão do pai, um espião alemão. Sua missão é prender um dos colegas do pai no Brasil e para isso, ela terá de se infiltrar na família do alvo, casando-se com ele. Entretanto, ela não esperava se apaixonar pelo seu companheiro de missão, Devlin (Cary Grant).
    Suspense magnífico de Hitchcock (especialmente certa cena numa escada) + a beleza e talento de Ingrid Bergman + Rio de Janeiro... Do que mais você precisa?   Nota: 9/10








2. Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994)


    Andy Dufresne (Tim Robbins) tem sua vida completamente mudada quando vai para a prisão, acusado de assassinar sua mulher. Em um ambiente totalmente particular e violento, ele se torna amigo de Red (Morgan Freeman) e tenta resistir à todas as dificuldades.
    O filme pode não ser exatamente genial e ousado em seu esqueleto, entretanto a construção, tanto do ambiente da cadeia, quanto da amizade dos dois homens, são absurdamente bem feitas. A emoção imposta pelo filme é crescente, porém não forçada, e não há como não manter uma relação estreita com todos os personagens. Possui passagens lindas e como retrato social, mesmo que maniqueísta, também surpreende. Destaque para as ótimas atuações.    Nota: 9/10







1. Luzes da Ribalta (Limelight, 1952)

    Dos últimos filmes de Charles Chaplin, esse aqui já serve tanto como auto-biografia, quanto como ilustração de uma realidade geral. Calvero (Chaplin) é um palhaço em forte decadência (qualquer semelhança com o diretor e ator, não é mera coincidência) e que se apaixona por Thereza (Claire Bloom), uma bailarina que tenta superar sua dor, após uma fracassada tentativa de suicídio.
    A relação com a realidade de Chaplin naquela época, já sem tanta fama, já emociona por si mesma. Entretanto, a história de superação da bailarina, e também do próprio palhaço, são muito bem dirigidas e se apresentam no ponto. Por suas qualidades, já é um grande filme, todavia, quando visto por alguém que cresceu assistindo a filmes de Chaplin, se torna um filme memorável, nostálgico e triste.    Nota: 10/10

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Balanço de Janeiro (Parte II)

    É, acabaram as férias e a época mais produtiva para mim em assistir filmes. Mais dez comentários curtos aí:

10. O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox, 2009)

    Wes Anderson é um diretor bem conhecido no meio cult do cinema, e por vezes adorado. E, por sinal, o trailer de seu novo filme pode ser visto no blog, aqui. Foi indicado ao Oscar pelo longa ''Os Excêntricos Tenenbaums'' e agora explorou o mundo das animações, em sua última obra lançada nos cinemas.
    A história possui um clima (e foco) bem familiar, com o desenvolvimento das relações entre os membros de uma mesma família: pais com filhos, marido e mulher, entre primos... A técnica de animação é bem bonita e realça o ambiente ''acolhedor e do interior'' em que o filme se passa; e as pitadas de humor negro (que fique claro que o filme não é ~infantil~) funcionam na maior parte das vezes. Entretanto tudo desaba por o longa não chegar a empolgar e pelo fato de, do meio para frente, cair em um clichê interminável e decepcionante. Por fim, fica um grande vazio.     Nota: 6/10




9. Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011)

    Lá vou eu reclamar desse tipo de filme de novo. Mas a história contada por George Nolfi é, com certeza, a menos oca e sem inteligência entre todas as outras ''semelhantes''. Claro que há aquela babaquice da ''mulher que precisa ser salva'', porém a trama sobre uma 'empresa' que organize e comande os destinos da população não deixa de ser bem cativante.
    Se cativa e possui um elenco razoável por um lado, infelizmente se entrega ao non-sense, principalmente em seu final. A conclusão é precipitadíssima, deixa mil e uma brechas e, ainda por cima, sem qualquer lógica... Dos seus ''irmãos'', o melhor; o que não significa lá muita coisa.       Nota: 6/10








8. Homem de Ferro (Iron Man, 2008)

     Não que eu estivesse esperando entender porque tanta gente ama esse filme. Mas pelo mesmo queria ter uma ideia disso, né. No entanto, o longa do fraco Jon Fraveau comete erros primários para querer ser alguma coisa em meio à tantas excelentes adaptações de HQ (Nolan, Watchmen, o último X-Men...).
     Um roteiro assustadoramente ruim e furado, que faz com que Robert Downey Jr. tenha um personagem burocrático e que não desperta a torcida que um heroi (mesmo que anti) precisa, por parte dos espectadores. Além disso, o vilão aqui é um tremendo retrocesso: unidimensional e com motivos obscuros e/ou pobres para seus atos. Salva-se a trilha e os bons efeitos especiais, que geram duelos que prendem bastante a atenção.    Nota: 6/10






7. Por um Punhado de Dólares (Per un pugno di dollari, 1964)

     Assisti a mais um Western! O que não deixa de ser uma vitória. O meu interesse pelo gênero é bem pequeno (quase nulo) e minha exploração nele é bem esporádica, resultada apenas pelo amor que tanta gente possui por esses longas. Nesse caso, fui procurar direito também: Sergio Leone e sua famosa trilogia com Clint Eastwood (como ator). Felizmente, não me decepcionei e até me animei a ver os outros dois restantes.
     Charmoso, com duelos emocionantes (o último, então...), um roteiro eficiente (não que seja aquela Brastemp, porém tem seus méritos) e uma direção precisa que engrandece ainda mais o filme.   Nota: 7/10








6. Preciosa - Uma História de Esperança (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009)

    Preciosa é um filme indigesto. É tanto sofrimento enlatado que assisti-lo sem ficar pelo menos incomodado é uma tarefa árdua. Preciosa também é o nome da personagem principal, bem interpretada por Gabourey Sidibe, que é abusada pelo pai, desprezada pela mãe, pobre, gorda, vai (muito) mal na escola, sem amigos e com um filho (de seu pai) com síndrome de Down.
     Como se já não bastasse a dificuldade em assistir o filme (ok, é aqui que vocês argumentar que ele força demais à desgraça. E é verdade.), a direção de Lee Daniels se faz notar com diversos elementos visuais, principalmente na primeira metade, e que só servem para enfraquecer a obra. As suas qualidades já vem presas à ele, sem a necessidade de tanta 'personalidade': fortes interpretações (Mo'Nique como a mãe, é fabulosa; Paula Patton é eficiente; Lenny Kravitz está irreconhecível e até Mariah Carey responde bem) e potência narrativa.    Nota: 7/10





5. Fantasia 2000 (Fantasia/2000, 1999)

    É estranho avaliar esse, antes de falar do anterior, de 1940. A ideia de prosseguir um filme tão belo quanto Fantasia é, no mínimo, respeitável devido ao fracasso de público óbvio que se seguiria. Mais uma vez, músicas clássicas e marcantes de todas as épocas abraçam a imagem em pequenas 'esquetes', pequenos curtas... Chame como quiser.
    O que importa realmente é a beleza da obra. A reutilização da cena de Mickey Mouse é importante (e interessante), tal qual a maravilhosa e deslumbrante (muito mesmo, garanto) parte final. Entretanto a irregularidade marca a obra, com cenas nem tão boas intercaladas com outras, belíssimas. Mas, se a sétima arte vive de momentos marcantes, esse é um baita filme por cumprir muito bem exatamente isso.      Nota: 8/10






4. Quase Famosos (Almost Famous, 2000)

     Um dos filmes que eu mais tinha vontade de assistir. Misturar road movie, rock, adolescência é algo que me atrai bastante e, aparentemente, Cameron Crowe havia realizado um bom trabalho ao contar sua vida, tanto no roteiro, quanto na direção. O que realmente se concretiza.
     A descoberta do mundo por William (Patrick Fugit); filho de uma mãe super-protetora (Frances McDormand), que acompanha uma banda de rock iniciante pela estrada; é muito bem feita. O início do filme é bem instigante e a atenção já está presa à tela desde quando a personagem de Zooey Deschanel, irmã de William, sai de casa. O clima é muito bem construído e ali você já está amando o filme. Com o passar do tempo, o ritmo cai um pouco e o bom humor, também; até se aproximar bastante do clichê, o que não se concretiza. Eficiente e divertido.     Nota: 8/10






3. Fantasia (idem, 1940)

    E agora eu falarei desse clássico da Disney, o original. O massacrado pela crítica da época, ignorado pelo seu público e aclamado anos depois. Já expliquei anteriormente a ideia geral de como o filme é organizado, então pulemos essa burocracia.
    O filme é lindo! Com uma beleza visual impressionante, ainda mais para 1940, e número verdadeiramente emocionantes; que tiram o máximo da qualidade técnica da animação de Disney. A icônica cena de Mickey como feiticeiro, a cena das cores... Tudo é fantástico e esteticamente próximo da perfeição. Todavia, mais uma vez, o filme esbarra na irregularidade (menor que no de 1999), o que o diminui um pouco.       Nota: 8/10








2. Planeta Terror (Planet Terror, 2007)

     Vamos falar de Grindhouse! Um dos projetos mais deliciosos já feitos, com a união de Robert Rodríguez e Quentin Tarantino pelo bem dos filmes trashs, exagerados, que espumam humor negro... Aqui é o 'irmão pobre' quem dirige e roteiriza. Porém Taranta não fica distante do projeto e interpreta um personagem, no mínimo, divertido.
     Participações de Bruce Willis e Fergie pontuam positivamente para esse ótimo filme, que provoca risos em toda a sua duração. Criatividade, personalidade, diversão, sangue, mulheres... aquilo que ''À Prova de Morte'' também tem, e ainda melhor: com a metralhadora na perna! Guilty Pleasure para ser colocado em um lugar bem especial na minha memória.     Nota: 8/10







1. Persona - Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966)

    Oficialmente Ingmar Bergman está entrando na minha lista de diretores favoritos. Depois de Morangos Silvestres, mais um grande filme do diretor sueco. A história da relação entre duas mulheres, paciente e enfermeira, é devastadora.
     Enumerar as qualidades técnicas, de direção (aqui seria praticamente chover no molhado, né) e nas interpretações é pouco para uma história tão forte como essa. Imponente em sua essência geral e que faz refletir. O ritmo cai um pouco ali no meio, talvez aliado com a estupefatez com que vamos absorvendo as informações da tela. Um filme pelo cinema, para o cinema e que é o cinema puro. Magnífico.      Nota: 8/10 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Balanço de Janeiro (Parte I)

    Mais dez filmes, vistos nos últimos quinze dias, escolhidos por mim para pequenos comentários.

10. Burlesque (idem, 2010)

    A união de Cher com Xtina para um filme e não tiveram o mínimo cuidado para dar algum toque de personalidade (e de qualidade). A história babaca da menina do interior (Christina, visivelmente ''emagrecida'' por computador) que vai para Los Angeles, em busca de um sonho, e acaba entrando num bar burlesco dirigido por uma ex-dançarina (Cher). Tá, tá, já não parece bom. E não, ninguém fez nada para melhorar. 
    Aparentemente o diretor Steve Antin não se deu ao trabalho de assistir a musicais consagrados. A inserção das canções na história se dá das maneiras mais imbecis possíveis. Não há qualquer contexto (por exemplo, o ensaio de Cher no palco; uma bela música, porém uma cena gratuitíssima). Saudades do encaixe perfeito entre música e roteiro visto em ''Chicago''. Os números musicais são muito ruins (com a exceção do último), e quando nem a direção de arte se salva... Interpretações vazias... Enfim, cuidado! É uma bomba das grandes!    Nota: 3/10




9. Contra o Tempo (Source Code, 2011)

    Tá, gente, essa história de mensalmente sair um filme com um protagonista duvidoso que entra em uma ''suposta realidade paralela'' e se apaixona por alguma mulher que lá se encontra, já deu. Na verdade, nem devia ter começado. Não há nada com menos criatividade do que essas ''ideias de gênio'' que os roteiristas acham que têm ao criar essas histórias. 
    A sinopse: Colter, um soldado americano, acorda em um corpo desconhecido (ele é outra pessoa, simplificando) e precisa impedir uma explosão no trem em que ele está viajando. Falando sobre esse filme exatamente há um agravante: a estupidez do protagonista. Durante toda a primeira hora ele só faz bobagem. Isso que teoricamente ele é um soldado treinado... Aí, sem nem querer torcer pelo heroi, dá para aguentar o filme? E, além do mais, não há empolgação em momento algum, só vontade de que a tortura acabe logo...   Nota: 4/10   P.S.: Vera Farmiga, cuide da sua carreira.




8. Tron - O Legado (Tron Legacy, 2010)

    Serei sincero: o que esse filme tem de bom são seus efeitos especiais. O visual futurista/high-tech encanta e o rejuvenescimento do rosto de Jeff Bridges é notável. Conte a beleza de Olivia Wilde e as qualidades param por aí mesmo. A continuação do filme de 1982 não dá razões para existir (exceto as financeiras). 
    O roteiro é fraco e sem personalidade; banhado no clichê até a morte. Garrett Hedlund faz um dos protagonistas mais insuportáveis de todos os tempos, péssima atuação. Hoje em dia, só enfeitar com computador uma história esquelética, como a do vilão-que-domina-tudo que enfrenta os herois oprimidos e sem apoio, já não é eficiente e aceitável.     Nota: 5/10







7. Megamente (Megamind, 2010)

    Mais um dos casos em que um filme infantil peca exatamente por ser infantil. A história do personagem-título Megamente, um vilão que tentar dominar a cidade de Metro City enfrentando o heroi Metro Man, é, por si mesma, interessante. E as citações à obras como ''Superman'' (explícita) ajuda ainda mais na construção da atmosfera. O que se intensifica com as boas escolhas na trilha sonora e um começo verdadeiramente inspirado. Mas, a partir daí, é só problema. 
    A esquematização do filme nos clichês infantis e o abandono da paródia como alicerce da trama desabam o filme, que chegando em seu fim, já beira o insuportável. Mas, ainda assim, é bem melhor que aquela coisa horrível chamada ''Meu Malvado Favorito''.    Nota: 5/10







6. Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, 2009)

    Um filme difícil de engolir. É. O longa de Werner Herzog se mantém sempre numa linha entre o 'gostar' e o 'não gostar' dele, para mim. As qualidades da história original são preservadas, com a incursão ao mundo das drogas e da relação dele com a vida cotidiana sendo ótimas. Nicolas Cage incrivelmente surpreende como o policial viciado que investiga o assassinato de uma família africana (não que esteja bem, mas ao menos não está lastimável). 
    O problema do filme é sua 'originalidade excessiva'. É. Não pela sua concepção, mas pelas criações visuais exageradas demais. Em muitas ocasiões, Herzog erra o tom e excede o limite da seriedade do espectador. E olhem que sou um ser preparado para bizarrices (e que ama Charlie Kaufman). Aceitável e qualificado, porém nem tanto.     Nota: 7/10





5. Star Trek (idem, 2009)

    J. J. Abrams é um cineasta em plena ascensão em Hollywood. Antes de lançar o ótimo Super 8, em 2009, também dirigiu outro bom filme: essa prequel para a saga ''Jornada nas Estrelas''. Se há algum diretor da nova geração que brinca bem com efeitos especiais e ficção científica, esse alguém ele. Aqui ele demonstra isso em batalhas épicas e efeitos primorosos, aliados à um roteiro que prende tanto pelo foco nas relações humanas, quanto pelo desandar da trama principal. 
    Há problemas é claro: furos no roteiro (que por vezes se engrandece demais), interpretações duvidosas e um certo melodrama que incomoda; o que em nada diminui os méritos do diretor em ressuscitar tão bem a saga.    Nota: 7/10







4. Educação (An Education, 2009)

    O filme de Lone Scherig é elegante. Se tivesse de resumi-lo em uma frase, diria isso. A construção da história sobre a descoberta do amor (e da chegada à fase adulta) por uma adolescente é bem realizada. 
    É um longa 'técnico', por assim dizer: interpretações excelentes (principalmente Carey Mulligan e Alfred Molina), direção cheia de classe e conceitualmente bem pensado. E, se isso é sua principal qualidade, é também seu defeito. O romance e o drama da jovem não chegam a empolgar e a obra sempre fica no 'quase' quando tenta ser contundente quanto à sua moral. Filme para premiações, mas muito elegante.    Nota: 7/10








3. Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1988)

    E a elegância anda solta por aqui. Aqui, ela é ainda maior. O longa de Stephen Frears, que retrata o jogo de influências e desejos em meio à sociedade francesa no século XVIII, é um primor. Interpretações fantásticas, absurdamente memoráveis: Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer... e porque não, Uma Thurman. 
   Um elenco assim, uma parte técnica excelente (figurinos, fotografia, trilha...) e um roteiro inspiradíssimo. Dialógos, personagens, atmosfera e retrato social; todos em alta. Enfraquece-se por vezes quando se perde em meio às suas tantas camadas, porém só aquela conversa 'final' entre a diva Marquesa Isabelle de Merteuil (Glenn) e o Visconde Sebastién de Valmont (Malkovich) vale por tudo.    Nota: 8/10







2. Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999)

    E vamos de Kaufman? Vamos. Não há nada melhor do que se render ao surrealismo do roteirista e se divertir ao longo do filme tentando contabilizar os momentos geniais vistos. A história é a de Craig (John Cusack), um arquivista que encontra numa sala da empresa onde trabalha, um túnel que leva diretamente à mente de John Malkovich. Contar além daí é tirar a diversão de quem for querer assistir. 
    O absurdo da história é tão divertido e 'real' que posso dizer que essa é umas das melhores comédias dos últimos tempos. O contraste com a realidade (que também viria em ''Adaptação) faz a trama crescer ainda mais, com John Malkovich interpretando a si mesmo e participações especiais de Brad Pitt, Sean Penn, Charlie Sheen... Todos interpretando a si mesmos também. Fabuloso!  Nota: 8/10






1. Adaptação (Adaptation., 2002)

    E tem mais Kaufman para hoje, minha gente. Em seu melhor longa, para mim, ele conta uma 'biografia' por assim dizer. Após as filmagens de ''Quero Ser John Malkovich'' (sim, elas aparecem aqui), o roteirista (vivido por Nicolas Cage) está trabalhando na adaptação de um livro sobre flores, de Susan Orlean (Meryl Streep). Esse trabalho é aqui mostrado por dois focos: as histórias de Susan e as dificuldades de Charlie.
    Só um mero detalhe: a história é realmente real, ele estava adaptando aquele livro na vida real e a adaptação é o filme! No final do longa, o roteiro que Charlie começa a criar é o que assistíamos desde o começo da projeção. A 'exceção' é o irmão-gêmeo de Charlie, Donald, que é apenas um lado do verdadeiro escritor e não uma pessoa mesmo. Confuso? Diferente? Sim, e absurdamente original! Cage, Streep e Chris Cooper estão excelentes. 
    Uma brincadeira com o cinema. E uma brincadeira genial. Eu quero ser Charlie Kaufman, e não John Malkovich.    Nota: 9/10

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Balanço de Dezembro (Parte I)

    Chegamos à metade do mês de Dezembro e, por isso, separei dez dos filmes aos quais assisti nesses quinze dias e os analisarei brevemente, com observações pontuais. Pretendo manter essa seção postando, sempre a cada quinze dias, textos como este. Bora lá...

10. Jogos Mortais - O Final (Saw 3D, 2010)


     O derradeiro (me engana, que eu gosto) capítulo da série infinita Jogos Mortais, dirigido (?) por Kevin Greutert, copia, sem tirar nem pôr, o que foi exibido desde o terceiro filme, só que muito, mas muito mesmo, pior (sim, cavaram um buraco ainda maior nesse poço). Dessa vez, ainda temos aquela primeira cena (tão boa, quanto ilógica) que nos engana,  já que nos leva a crer que a saga tinha encontrado um outro jeito de ser (com certeza, mais profícuo), o da auto-paródia assumida.   
Nota: 1/10





9. Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992)


    A adaptação do grande (mas, hoje, em pura decadência) Francis Ford Coppola para a história do Conde não deixou de decepcionar, mesmo com um elenco tão formidável, com Anthony Hopkins (ainda em boa fase), Gary Oldman (aqui, espetacular) e Winona Ryder. O diretor até tentou dar um toque pessoal, trazendo um visual interessante e intensificando a presença do amor (e do sexo) à obra. Mas não adiantou. O filme é fraco, com roteiro idem. Não empolga e não atrai.    Nota: 6/10







8. A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968)


    Toda a ideia do mestre do ''cinema-zumbi'' Romero nasce correta: um estudo do desespero humano, em meio à morte eminente caminhando junto aos mortos-vivos que cercam sua casa. Entretanto, as interpretações fracas afundam todo esse conceito, tornando o filme, muitas vezes, chato. A maquiagem, como sempre, é marcante e bem-feita, ainda mais pela época.
Nota: 6/10






7. Sobrenatural (Insidious, 2010)

    Do mesmo criador de Jogos Mortais (James Wan), o longa é um eficiente filme de terror, porém possui visíveis limitações. A história é a de um menino que entra em coma sem motivo biológico aparente. O motivo era espiritual, claro. O filme é bem dirigido e apresenta uma penca de sustos e momentos de tensão acima da média (principalmente mais para o final). O problema do filme está no roteiro, que intercala bons momentos (já citados) com outros simplesmente ''corta-clima'', até cômicos. Ou seja, você está todo tenso vendo o filme e, então, aparece uma cena simplesmente ridícula. Aí a tensão vai a zero.   Nota: 7/10




6. Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011)

    O filme de Terrence Malick, ganhador da Palma de Ouro, mostra (na maior parte do tempo) a história de uma família cheia de problemas de relacionamento, o que, na verdade, é apenas uma parte de toda uma metáfora sobre vida, relação pai-filho e religião, entre outros temas. Essa mixagem de temas se dá de forma eficaz, com ajuda da brilhante Fotografia, nos brindando com algumas das melhores cenas do ano. Todavia, em alguns momentos, falta sutileza na direção de Malick, em outros, distanciamento.     Nota: 8/10




5. Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982)

    Mais um grande filme de John Carpenter, dessa vez, uma refilmagem da história de doze homens isolados numa estação de pesquisa na Antártida. Então, eles entram em contato com um organismo alienígena que assimila genuinamente a forma humana, depois de certo tempo de contato, transformando-se em uma cópia perfeita. Começa, então, um jogo de desconfianças para saber quem é o infectado. Magistralmente dirigido, com uma atuação surpreendente de Kurt Russell e um roteiro inspirado que trabalha bem a desconfiança, o egoísmo e as fraquezas humanas.           Nota: 8/10






4. Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, 1988)
   
    O clássico italiano de Giuseppe Tornatore, ganhador do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, conta a vida de Salvatore (e também dos moradores de sua cidade, por que não?) e seu envolvimento com o cinema, desde as entradas às escondidas na sala do projetor. Nos afeiçoamos ao filme logo no início, com a bela performance do pequeno Salvatore Cascio e, a partir daí, é pura emoção e amor à Sétima Arte. Filmaço.   Nota:8/10









3. O Gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari, 1920)

    Junto de ''Nosferatu'', de Murnau, essa é a obra principal do Expressionismo Alemão no cinema. Dirigido por Robert Wiene, o longa impressiona pela força e vitalidade com que nos arrebata, mesmo depois de noventa anos de seu lançamento. O enredo é sobre um hipnotizador que chega à uma cidadezinha em meio à uma série de assassinatos que vinham ocorrendo por lá. O filme também é importante por apresentar um dos primeiro finais-surpresa da história. Belíssimo.   Nota: 8/10








2. Os 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995)

    O filme de Terry Gilliam é colossal. James Cole (Bruce Willis) é mandado de volta para o passado para colher informações sobre um vírus, lançado na Terra, que matou cinco bilhões de pessoas no planeta. Diversos problemas acontecem e surpresas e mais surpresas vão sendo reveladas pelo roteiro no decorrer do filme, até chegar em seu final, arrebatador. Roteiro brilhante, direção idem e uma atuação de Brad Pitt que lhe rendeu o Oscar para Ator Coadjuvante. Inteligente e obrigatório para os cinéfilos.    Nota: 8/10






1. Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957)


    O filme do mestre Ingmar Bergman é uma análise sobre a vida, sobre o tempo que dedicamos a ela, sobre como usamos este tempo e sobre o valor empregado às coisas. Bergman conduz o filme com uma sensibilidade ímpar, mostrando maravilhosamente os devaneios e flashbacks de Isak Borg, um homem que sabe estar próximo à morte. O diretor disseca perfeitamente a memória humana: como guardamos uma lembrança vs. como ela realmente ocorreu. A qualidade da obra é provada quando desligamos o DVD e ficamos horas seguidas fazendo análises filosóficas e existenciais sobre nós mesmos. 
Nota: 9/10