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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Crítica - Marcas da Violência (por Gustavo Hackaq)


    E aí, em meio a esse meu hiato de textos no blog, mais um ótimo texto cedido pelo digníssimo Gustavo Hackaq. Gostaria de dizer que concordo com cada letra aqui postada e que a minha nota para a obra é 5 (porém eu gosto de outros filmes do Cronenberg, ok?).

   “Dar notas a filmes” não é uma ciência exata, obviamente. É uma das artes mais subjetivas que existem, obviamente novamente. ''Marcas da Violência'' foi o filme definitivo para cimentar essa tese na minha cabeça.

   Para não enrolar muito, o filme conta a história de um homem que tem a loja assaltada e acaba matando os assaltantes. Depois disso, é perseguido por outros homens nos seus clichês carros lustrosos, óculos escuros e ternos impecáveis, que dizem que ele não é quem afirma.

   Desde o primeiro segundo do aparecimento dos mafiosos, nós já sabemos que eles falam a verdade e o protagonista (Viggo Mortensen, aproveitando o hype em torno de sua atuação em ''O Senhor dos Anéis'') é um mentiroso. Todos os lugares-comuns do “eu sei quem você é, por isso não finja”, que funcionava muito bem até nos filmes do Hitchcock (''Intriga Internacional'', por exemplo) são terríveis aqui, e repetidos à exaustão. E a atuação de Mortensen não convence em momento algum (é até engraçado ver, quando ele finalmente assume sua real identidade, tentar mudar a forma de atuar para mostrar, pateticamente, o outro eu).

   O filme também é usado para mostrar a exemplar cultura norte-americana, com os filhos da América comendo seus usuais cereais com leite; as líderes de torcida levando o namorado escondido para sua casa (essa cena pelo menos é boa) e tentando fazer silêncio, afinal, como já vimos em mil filmes de terror, os pais dela estão dormindo no quarto ao lado; as rivalidades fúteis geradas por baseball; os valentões aterrorizando os mais fracos em meio de palavrões entre os corredores com armários escolares etc etc etc etc. E, no caso, a violência, abusada aqui (e que nunca choca, não graças ao excesso de sangue que vemos atualmente; filmes violentamente bons, ''Irreversível'', para citar algum, choca com facilidade), mas de forma besta e plástica (convence em termos de efeitos-especiais, mas é artificial) é outro símbolo cultural do país, todavia nem isso soa “culto” ou “profundo”, apesar de inúmeros expectadores do filme acharem os adjetivos entre aspas anteriores no âmago do filme ou sabe lá onde.

   Olhando o título original da fita, 'A História da Violência', vemos o quão pretensioso ele é. Com um título desses esperamos um estudo aprofundado sobre a psique humana naturalmente e essencialmente violenta, porém nada disso consta. É tudo banal. Tem justificativa? Sim, tem, mas e?! É essa a pergunta que fica, “e daí tudo isso?”. Fora que todas, eu repito, TODAS as ações e acontecimentos são previsíveis até a estratosfera. O telefone toca *é um dos caras da vida dele de verdade e vai o chamar pra ir à Filadélfia*; ele chega em casa *ninguém fala com ele, mas a filhinha será a única*, e é exatamente isso que acontece, só para exemplificar algumas cenas.

  Para fechar unindo à minha ideia inicial, vejo este filme com notas ótimas e sendo chamado até mesmo de “obra-prima”, para meu total assombro. Talvez eu tenha problemas, ou, sem pretensão, se possível, seja o contrário.         Nota 4/10

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Crítica - A Viagem de Chihiro

 
    No Oscar de 2001 muitos se surpreenderam com uma animação japonesa sendo indicada (e ganhando) o prêmio de Melhor Filme de Animação, superando os longas lançados pelos grandes estúdios ocidentais: Pixar, Disney e DreamWorks. E a partir daí o nome de Hayao Miyazaki e de seu estúdio Ghibli, antes desconhecidos no Ocidente, viraram celebridades no mundo do cinema. E a ''culpa'' de tudo isso é do magnífico ''A Viagem de Chihiro'' (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001).

    Tudo começa com a mimada e amedrontada Chihiro, que está se mudando de cidade, junto de seus pais. Durante a viagem, eles acabam se perdendo e encontram uma espécie de parque de diversões abandonado. Ao explorarem o local, encontram um restaurante, também deserto, porém repleto de comida, e enquanto os seus pais comiam o que tinha ali, Chihiro explorava um pouco mais o local. E aí começa a incursão da garota num mágico e perigoso mundo, que apenas revela sua existência durante a noite.

    Seus pais acabam transformados em porcos, por comerem aquilo, e a menina, ajudada pelo jovem Haku, consegue convencer a megera Yubaba, uma bruxa que comanda aquele ''mundo'', a permitir que ela trabalhe lá, dentro de uma casa de banhos que lá existe. E então, ela começa uma jornada arriscada para salvar seus pais e sair daquele lugar.

    O encanto para com o filme já começa com o deslumbre visual que ele proporciona, uma mistura da cultura japonesa com a criatividade do diretor, que nos mostra um mundo lindo e particular: com bebês gigantes, bruxas com a cabeça maior do que o corpo de um homem, espíritos e dragões. E tudo fica ainda maior com o colorido exagerado (de um jeito bom) que compõe o ambiente do filme, quase todo feito à mão, com pincéis. Enfim, posso continuar falando mil linhas sobre o visual da obra que não conseguirei exemplificar sua beleza completamente.

    E isso tudo ainda se alia à uma brilhante trilha sonora, com canções extremamente emocionantes, e à um roteiro metafórico escrito por Miyazaki. Um roteiro que reúne desde críticas ao capitalismo humano (com o monstro sem face, que de ingênuo no começo, ao entrar na casa de banho se torna um monstro; além da óbvia obsessão por ouro dos personagens), até à falta de identidade (quando Yubaba rouba o nome de Chihiro, que passa a se chamar Sen) e objetivos do homem (Chihiro, ao contrário dos outros trabalhadores, não se mostra satisfeita e quer fugir do local).

    Pode parecer que o filme se perde em alguns momentos, em meio a tantos simbolismos e histórias, e isso realmente acontece durante algum tempo na metade do longa. Entretanto isso não retira nenhum dos méritos de Miyazaki em criar um filme corajoso, belo e adulto; o que ainda não era um costume das animações no início da década.
Nota: 8/10

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Crítica - Harry Potter 7.2

 
    Quando foi anunciado, em 2006, após o quarto filme, que um diretor que só tinha no currículo um filme para TV levaria a saga até o seu final, fiquei receoso. Um receio que aumentou ainda mais após o confuso, irregular e problemático quinto filme. Parecia que a série manteria ''Prisioneiro de Azkaban'', de 2004, como seu melhor momento e que ninguém havia aprendido nada com a guinada ''dark side'' que Alfonso Cuarón havia dado ao terceiro longa, muito mais intenso e poderoso, mesmo contando com a história mais fraca de todos (''culpa'' do livro, que é o menos ''importante'').
    Entretanto, veio a surpresa ''Enigma do Príncipe''. David Yates mostrou que possuía suas qualidades e trouxe um fator que mudaria o rumo da saga: um certo realismo. Sim, realismo em um filme de bruxos cheio de criaturas exóticas. Tudo ganhou um lado humano e a adolescência (e seus problemas) ganham um bom espaço, naquele que era o filme mais sombrio (bendita Fotografia linda!) e com maior ''valor cinematográfico'' de toda a série até então, junto do terceiro filme. E então, só faltavam mais dois longas, e a projeção era de puro crescimento na qualidade.
    E isso realmente ocorreu, a primeira parte de ''Relíquias da Morte'' foi um filme poderoso. A parte técnica nunca havia sido tão eficiente. Trilha, fotografia, efeitos especiais, direção de arte e até mesmo a direção em si. Os personagens estavam mais aprofundados e era o filme mais artístico de todos, com comparações diretas à regimes totalitários, como o nazismo, sendo ainda melhor desenvolvidas que nos livros. Um excelente show de abertura para o maior acontecimento do cinema nos últimos tempos: o fim da franquia.
    O acontecimento realmente veio, e com força. O filme... deixou a desejar. Não que ele não seja bom. É ótimo! O terceiro melhor de toda a saga. Mas com tudo que tinha nas mãos, Yates ofereceu pouco. A parte técnica é, mais uma vez, deslumbrante. A fotografia de Eduardo Serra é novamente bela, a trilha de Alexandre Desplat dá todo o tom épico (ou dramático, quando preciso) e os efeitos especiais, enfim, esses já são elogio marcado.
    Todo o começo do filme é espetacular, desde as cenas no Chalé das Conchas, realmente bem escritas por Steve Kloves (que cresceu muito desde o primeiro filme), até a extraordinária sequência em Gringotes, perfeita nos mínimos detalhes. Mas a partir daí, o filme falha ao dar o tom épico. A batalha de Hogwarts é sub-aproveitada. Há cenas lindas como a do escudo da escola, a fuga de Snape e os ''momentos'' da Professora McGonagall. Entretanto, parece que esses momentos foram muito mais sentidos pelas fortes interpretações ou pelos efeitos, do que pelo que realmente estava sendo mostrado ali. Nada comparável à memorável batalha dos Campos de Pelennor, no capítulo final da trilogia ''O Senhor dos Anéis''.
    Aqui vão alguns exemplos (contém spoilers, desavisados pulem para o próximo parágrafo): a morte de Bellatrix, apressada e sem desenvolvimento algum, só foi épica devido à fala (do livro) da Sra. Weasley; o adeus à alguns personagens importantes (do ''lado bom'' da batalha) também é falho (coitados dos que não leram o livro, tiveram que decifrar que era Fred que jazia no chão); o beijo de Rony e Hermione é belamente construído e... o rosto de Rupert Grint simplesmente tapa qualquer visão do público.
    Tá, Gabriel, você só falou mal e ele é o terceiro melhor da série? É! O motivo? Algumas cenas absurdamente lindas e emocionantes, com as quais parece que houve um tratamento especial da equipe de produção, como as memórias de Snape (lindas e emocionantes em cada momento, com um tom dramático crescente), a parte final (após a cena na Floresta Proibida), o epílogo e as já anteriormente citadas no quinto parágrafo. Além de, claro, todo o trabalho impecável na técnica e o desempenho positivo de todo o elenco adulto. E, o mais importante, o já citado várias vezes ''acontecimento''. A nostalgia também engrandece o filme, e muito.
    Como filme, bom. Como acontecimento de toda uma geração, inesquecível e espetacular.       Nota: 8/10



domingo, 18 de dezembro de 2011

Crítica - O Labirinto do Fauno

 
    Guillermo del Toro é um diretor, no mínimo, diferente. Em sua filmografia constam adaptações medianas de HQ: os dois filmes sobre o anti-herói Hellboy e a segunda parte da trilogia sobre o caçador de vampiros Blade, entretanto seus filmes mais reconhecidos (e os melhores) remetem ao gênero do Terror, mesmo que não em sua completa essência. E isso também remete à enorme quantidade de filmes que ele apenas produz (no total, já foram quase trinta longas).

    Desde o seu primeiro longa, ''Cronos'', em 1993, passando pelo bom ''A Espinha do Diabo'' até o mais recente ''O Labirinto do Fauno''; todos mesclam o Drama ao Terror. E, resumindo-me às duas últimas obras citadas, também mesclam a fantasia infantil e apresentam uma criança como personagem principal. No caso de ''O Labirinto do Fauno'', ela é Ofelia (Ivana Baquero), uma menina que se muda com sua mãe para o quartel de seu padrasto, o Capitão Vidal (Sergi López), um oficial fascista que busca exterminar os rebeldes daquela região.

    A história se concentra em dois núcleos: o de Mercedes (Maribel Verdú), amiga de Ofelia, cozinheira do quartel e informante dos insurgentes, que luta para ajudá-los a derrotar os soldados do Capitão; e o da jovem garota, que descobre no jardim da mansão, um labirinto, que a leva ao encontro de um Fauno (Doug Jones), o qual lhe revela que ela é, na verdade, a princesa de um reino subterrâneo e que, para retornar lá, deve cumprir três missões.

    O filme se encaixa mais num conto de fadas adulto, dado as situações tensas e seres horríveis aos quais Ofelia entra em contato; além de, claro, o horror da Guerra Civil. Os dois focos da película, por sinal, ficaram bem equilibrados na tela, sendo ambos bem desenvolvidos pelo roteiro, obtendo um saldo bastante positivo e sem algum se sobressair quanto ao outro.

    Toda a parte técnica do filme é impecável: a direção de arte, oscarizada, é belíssima em cada detalhe; já a fotografia, também vencedora do Oscar, se encaixa perfeitamente com o tom sombrio e adulto, porém fantasioso, do filme; todavia o que mais chama a atenção é a maquiagem (uhu, Oscar de novo) que cria seres soberbos, quase reais, como o já citado Fauno e a criatura da ''sala de jantar'', de longe a mais surpreendente e tenebrosa de todo o filme.

    As interpretações também são um brilho à parte: Ivana Baquero transpõe muito bem a delicadeza de Ofelia, já Maribel Verdú faz uma atuação segura e eficiente, enquanto Sergi López encontra o tom exato para interpretar o Capitão Vidal, tragicamente odioso. Outro ator importante é Doug Jones, com um trabalho físico ótimo em seu Fauno.

    Todo o roteiro (também outro destaque na obra) se apóia na imaginação infantil, e na sua importância. E, além disso, faz um contraponto entre real e fantasioso, uma vez que Ofelia se sentia muito mais amedrontada na presença de seu padrasto do que ao lado do Fauno, mesmo o último tendo uma aparência bem menos ''agradável''. Um belo filme de Guillermo del Toro, que cresce cada vez mais como diretor, e que venha ''Pacific Rim'', em 2013.    Nota: 8/10


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Crítica - Coraline e o Mundo Secreto

    
   Henry Selick é dos diretores mais competentes de Hollywood atualmente. E isso já foi demonstrado logo em seu primeiro filme, ''O Estranho Mundo de Jack'' (The Nightmare Before Christmas, 1993), que encantou o mundo com seu apuro técnico e beleza visual. Depois disso, veio o bom ''James e o Pêssego Gigante'' (James and the Giant Peach, 1996) e o dispensável e pouco conhecido ''Monkeybone - No Limite da Imaginação'' (Monkeybone, 2001). Confesso que achei que a carreira do diretor estava fadada ao fracasso e esquecimento depois deste filme. Ainda bem que estava errado, eis que nasce ''Coraline e o Mundo Secreto'', adaptação do livro de Neil Gaiman * (Coraline, 2009).
   
   Só pela sinopse já se sabe que não se trata de um filme qualquer e que viria coisa boa por aí: Coraline Jones (dublada por Dakota Fanning) é uma menina de onze anos, que acaba de se mudar para uma nova casa, distante de seus antigos amigos, a Mansão Cor de Rosa, situada em um isolado vale no Oregon. Como se não bastasse a solidão causada por isso, seus pais não lhe dão qualquer atenção, uma vez que estão sempre trabalhando. Porém, a garota possui espírito explorador e acaba encontrando, em sua casa, uma passagem para um mundo alternativo e aparentemente perfeito, onde seus pais são atenciosos, os vizinhos super-simpáticos, enfim, tudo é lindo e utópico.
   
   Tá, né, uma animação, com um mundo bonitinho e florido... Ok, bem infantil, né? Claro que não! É um filme do Selick e, aqui, o público alvo é, majoritariamente, o adulto. O enredo começa a tomar rumos assustadores, nada próximo ao divertido e leve mundo alternativo de ''Monstros S.A.'' (Monsters, Inc., 2001). Todos os personagens do longa são únicos e com toques de originalidade, desde as duas senhoras que moram próximas à garota, ex-estrelas do teatro, até o gato preto. Mas o que é mais impressionante é a técnica de stop-motion utilizada, praticamente não se nota que tudo ali é feito de 'massinha', é simplesmente maravilhoso! Difícil se imaginar que aquela técnica de ''A Fuga das Galinhas'' (Chicken Run, 2000) chegaria a tamanho apuro visual, se aproximando até mesmo de animações em CGI.
   
   Sim, o filme é belo visualmente, muito bem dirigido por Selick e possui um primeiro ato simplesmente apaixonante. Mas aí, deu problema. Se desde seu começo o filme se desenvolvia maravilhosamente, fugindo do lugar-comum e nos apresentando aquele mundo magnificamente, em sua resolução, ele derrapa. O filme toma uma vertente completamente diferente: parte para a correria e ação desenfreada, começando a apresentar até mesmo furos de lógica (nem o mais confiante vilão do mundo daria, quase que de graça, uma chance para a protagonista fugir de seus domínios). Cai no clichê do ''heroína fugindo da vilã/ heroína precisa encontrar aquela-coisa-importante para escapar'', o que é uma pena, para um filme tão belo visualmente e que possui toda uma primeira parte excelente.


   O que fica é um filme ótimo, mas que cai nos clichês, porém a magia da obra é tanta que, na hora de colocar na balança, você acaba até esquecendo desses problemas...      Nota: 8/10
   
   (Escrevi essa crítica à pedido do nosso amigo Zé. [palmas para o Zé] Quem quiser pedir para algum outro filme...)


* Informação lembrada por um leitor anônimo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Lista - 2000's



Well, como tá na minha descrição (que ninguém deve ter lido), também farei Tops, que é uma coisa que eu gosto muito de fazer. Poderia começar pelos meus dez filmes preferidos ou algo do tipo, porém não. O meu primeiro Top10 será sobre: ''Os dez melhores filmes da década de 2000!''. Escolhi isso porque essa década marcou meu início na ''cinefilização'' e, portanto, alguns de seus filmes, idem. And so it begins...

10. A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, 2004)


   Um filme alemão, sobre a Segunda Guerra Mundial. Já não podemos esperar os típicos clichês norte-americanos sobre o tema. E quando sabemos que ele mostrará, a partir de um ponto de vista nazista, o fim de tudo aquilo? Esperamos um grande filme, claro. E é isso que ele é. A obra, indicada ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, mostra os últimos momentos de Hitler, sua loucura e seu lado humano (sim, ele existe), e também como os alemães também apoiavam aquilo tudo (em um momento, duas crianças pegam armas e vão para o front defender Berlim). O filme é perfeito tecnicamente e conta com uma das melhores interpretações de seu ano, com Bruno Ganz fazendo um Hitler tão inesquecível quanto o de Charles Chaplin em O Grande Ditador (e sendo infelizmente ignorado pela Academia).      Nota: 9/10


9. Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007)


   Tim Burton + Johnny Depp + Helena Bonham Carter + Alan Rickman, só poderia ser um sucesso. Se trata de uma adaptação do musical que conta a história de Benjamin Barker (Depp), que volta da prisão em busca de vingança contra o homem que ''roubou'' sua família (Rickman) e, nesse trajeto, encontra a Srta. Lovett (Bonham Carter), dona do pior restaurante de Londres (sem exageros). É um primor técnico, com sua concepção visual sendo uma das minhas favoritas da filmografia do Tim, reparem como as cores ficam presas praticamente ao ''preto-e-branco'', com exceção do vermelho vivo, visto principalmente no sangue (o pôster acima, já dá uma ideia sobre isso). Méritos para a Fotografia de Dariusz Wolski. A direção de arte é, claro, igualmente bela e notável, tal qual as interpretações, com destaque para Helena e Johnny (que acabou até ganhando uma indicação ao Oscar). Portanto, não há como dizer que Burton ''caducou'' em seus filmes mais recentes, mesmo depois de Alice...     Nota: 9/10


8. Amnésia (Memento, 2000)


   O terceiro filme de Christopher Nolan (dos ótimos ''A Origem'' e ''Batman - O Cavaleiro das Trevas''), e o que lhe rendeu os primeiros bons olhares no mundo cinematográfico, já mostrava que esse homem não era um diretor e roteirista qualquer. Aqui já encontramos a fórmula mágica do diretor: entretenimento com conteúdo. A história é simples: Leonard (Guy Pearce) busca encontrar o assassino de sua mulher, até aí tudo certo, tudo normal... o problema é que ele possui perda de memória recente, ficando dependente das anotações dos dias anteriores para saber onde sua ''investigação'' havia parado. Certo, pensa que acabou aí a inventividade do roteiro dos irmãos Nolan? Não mesmo: o filme se passa inteiramente de ''trás para frente'', observando sempre o ponto de vista do personagem, ou seja, nem ele nem nós, meros espectadores, sabemos o que ocorreu no dia anterior! Merecidamente indicado à Melhor Roteiro e Melhor Montagem no Oscar, o filme é realmente tudo isso que parece ser!      Nota: 9/10


7. Moulin Rouge - Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001)



   Eu tenho um caso de amor muito sério com esse filme. Dirigido e roteirizado por Baz Luhrmann (de ''Romeu + Julieta''), conta a história de Christian (o chato do Ewan McGregor) que sonha se tornar um escritor, em meio à era boêmia parisiense. Ele acaba conhecendo e se apaixonando pela cortesã Satine (a linda e talentosa Nicole Kidman), porém ela já possuía outros planos: se casar com o ricaço Duke (o eficiente Richard Roxburgh). Em meio à todos os clichês do gênero (e aqui temos uma das qualidades do filme, que não se deixa ficar cafona em momento algum), aparece a excelente trilha sonora, que reúne sucessos de todas as épocas, nas vozes dos atores; a brilhante direção artística, com cenários e figurinos primorosos e, claro, o show de interpretação de Kidman e de outros do elenco, como Jim Broadbent, como o dono do Moulin Rouge, e John Leguizamo, o amigo ''gnomo'' de Christian.    Nota: 9/10


6. Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000)



E mais um da série ''primeiro-filme-mundialmente-conhecido-de-um-grande-diretor''. Réquiem é dirigido por Darren Aronofsky (do maravilhoso ''Cisne Negro'') e é uma verdadeira análise do ser humano. A base do roteiro são os vícios que permeiam o homem, representados pelas drogas, comprimidos de emagrecimento e TV. Sara Goldfarb (Ellen Burstyn, em interpretação sensacional e indicada ao Oscar) assiste à TV o dia todo, até que é chamada para a fila de espera de um programa alla Silvio Santos e, então, começa um regime intenso com o apoio de remédios para vestir um vestido que usou há muitos anos. Enquanto isso, seu filho, Harry (Jared Leto), é viciado em drogas e passa o dia injetando com amigos. Nesse contexto absurdo, porém real, o filme vai se desenvolvendo, com a ajuda de uma trilha conhecida de todos (ouçam!) e uma direção inovadora e impecável. O final é absolutamente fantástico!    Nota: 9/10



5. Dogville (idem, 2003)
















    Lars Von Trier. Lars Von Trier. Podem decorar esse nome, porque eu vou falar MUITO dele por aqui. Também pudera, é um dos meus diretores favoritos (e um daqueles que em uma conversa sobre, eu viro fã alucinado e chato). Depois do sucesso de ''Dançando no Escuro'' (um maravilhoso musical com a Björk), em 2000, Von Trier lançou Dogville. E nele, utilizou os conceitos do Manifesto Dogma 95, que impunhas certas, digamos, limitações ao diretor. A história é, teoricamente, simples: Grace (mais uma vez, Nicole Kidman), está fugindo da máfia quando encontra uma pequena cidade e nela acaba ficando, em troca de prestar favores aos seus moradores. Aí entram as tais limitações: o filme não possui cenário algum! Se passa em um palco com algumas delimitações quanto à ''onde seria o quê'', por meio de traços no chão. Não há paredes, não há nada além disso. E nessa ''loucura'' toda, Trier desenvolve o filme, mostrando, por meio dos seus aclamados simbolismos, a maldade do ser humano. Uma aula de cinema.   Nota: 9/10


4. O Pianista (The Pianist, 2002)
















   Mais um filme sobre o Holocausto, mas dessa vez o ponto de vista é outro e a direção é do mestre Roman Polanski (de ''O Bebê de Rosemary''). Wladyslaw Szpilman é um pianista polonês, de nome complicado de se falar, que contou em sua auto-biografia como foi todo o processo da Segunda Guerra para um judeu, desde as primeiras restrições até o fim do conflito. O livro foi adaptado à tela de maneira espetacular por Polanski, mostrando, sem qualquer tipo de manipulação para mexer com o emocional, como foi o Holocausto. Acompanhamos o filme sempre lado a lado do pianista, passando pela separação de sua família, até o seu derradeiro fim. A espetacular interpretação de Adrien Brody, que lhe rendeu o Oscar, é digna de nota, não só pelas transformações físicas (o emagrecimento durante o filme é absurdamente visível), mas também pela grande carga emocional. Ganhador de três prêmios da Academia, incluindo Melhor Diretor, é a obra máxima de Polanski.      Nota: 9/10


3. Kill Bill: Vol. 1 (Idem, 2003)















A farofada pop-tarantinesca: minha definição para Kill Bill. Tudo começa quando a 'Noiva' (Uma Thurman), sobrevive a uma chacina, organizada por Bill e seus assassinos de elite, no dia de seu casamento. Porém, ela entra em coma e ao acordar, após longos anos, vai em busca da vingança. O que separa o filme do lugar-comum é algo bem simples: Quentin Tarantino. As inúmeras referências pop, dos Westerns de Leone até o giallo italiano e passando pelos filmes de ação japoneses, são mixadas e transformadas em um grande filme. Os exageros técnicos, como o ''sangue-mangueira'' que sai dos braços decepados pela Noiva, a sequência em P&B e a ''luta de sombras''; casam perfeitamente com os diálogos sempre imperdíveis e a direção precisa de Tarantino. Destaque para a maravilhosa trilha (o assobio ''Bernard Herrmanniano'' da linda Daryl Hannah como enfermeira no hospital já é um clássico) e também para o elenco de apoio, com Lucy Liu, Michael Madsen e a já citada Daryl, o grande destaque.     Nota: 10/10


2. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009)
















   Já deu para perceber que eu sou absolutamente fã do Tarantino, né? E esse, para mim, é o seu melhor filme. Nada de ''Pulp Fiction'' ou ''Cães de Aluguel'', eu tenho que concordar com o Quentin, essa é a sua obra-prima. O filme segue por duas vertentes: a de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), sobrevivente da execução de sua família pelo Coronel Hans Landa (o magnífico Christopher Waltz) e a dos Bastardos, grupo americano liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), que extermina soldados alemães de uma maneira bem peculiar. A cena inicial da execução da família já mostra que se trata de um filme de Tarantino, com uma mise en scène espetacular e um diálogo fabuloso, em que Waltz mostra todo o seu talento, que lhe rendeu o Oscar de Ator Coadjuvante. Ambas as vertentes acabam por se juntar no cinema de Shosanna, onde um filme será exibido para o Terceiro Reich, e quando dois planos para matá-lo entram em ação. Um autêntico ''novo filme de Quentin Tarantino''.      Nota: 10/10


1. Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (Lord of the Rings: The Return of the King, 2003)
















   Pronto, desapontei muita gente. Joguem as pedras. A história, todo mundo conhece: Frodo (Elijah Wood) tentar destruir o Um Anel, enquanto o que restou da Sociedade do Anel busca lhe dar tempo para concluir a missão e também proteger o mundo das tropas de Sauron. Tá, e aí você me fala, três filmes enormes para jogar um anelzinho em um vulcão? SIM! Três filmes enormes que criaram a trilogia mais épica de todos os tempos. O que dizer da batalha nos Campos de Pelennor? Das acrobacias de Legolas diante do Olifante? E do clímax final que nos leva ao êxtase, tanto na resolução para os hobbits, quanto para os homens? Tudo é épico, tudo é gigantesco, tudo é megalomaníaco, bem como a grande obra de Tolkien merecia. A trilha de Howard Shore nos causa arrepios instantâneos (chegada dos exércitos de Rohan, oi?), os efeitos visuais da Weta estão ainda melhores e as interpretações não ficam para trás, não. Um épico monumental, vencedor de onze Oscars altamente merecidos.    Nota 10/10

P.S.1: Para os desinformados, a década de 2000 acaba em 2009, ok?

P.S.2: Não, eu não assisti a todos os filmes da década que passou, portanto, pode ser que aquele filme que você ama, eu não tenha visto (ou tenha, enfim), então, comente, pergunte, etc.