Well, como tá na minha descrição (que ninguém deve ter lido), também farei Tops, que é uma coisa que eu gosto muito de fazer. Poderia começar pelos meus dez filmes preferidos ou algo do tipo, porém não. O meu primeiro Top10 será sobre: ''Os dez melhores filmes da década de 2000!''. Escolhi isso porque essa década marcou meu início na ''cinefilização'' e, portanto, alguns de seus filmes, idem. And so it begins...
10. A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, 2004)

Um filme alemão, sobre a Segunda Guerra Mundial. Já não podemos esperar os típicos clichês norte-americanos sobre o tema. E quando sabemos que ele mostrará, a partir de um ponto de vista nazista, o fim de tudo aquilo? Esperamos um grande filme, claro. E é isso que ele é. A obra, indicada ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, mostra os últimos momentos de Hitler, sua loucura e seu lado humano (sim, ele existe), e também como os alemães também apoiavam aquilo tudo (em um momento, duas crianças pegam armas e vão para o front defender Berlim). O filme é perfeito tecnicamente e conta com uma das melhores interpretações de seu ano, com Bruno Ganz fazendo um Hitler tão inesquecível quanto o de Charles Chaplin em O Grande Ditador (e sendo infelizmente ignorado pela Academia). Nota: 9/10
9. Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007)

Tim Burton + Johnny Depp + Helena Bonham Carter + Alan Rickman, só poderia ser um sucesso. Se trata de uma adaptação do musical que conta a história de Benjamin Barker (Depp), que volta da prisão em busca de vingança contra o homem que ''roubou'' sua família (Rickman) e, nesse trajeto, encontra a Srta. Lovett (Bonham Carter), dona do pior restaurante de Londres (sem exageros). É um primor técnico, com sua concepção visual sendo uma das minhas favoritas da filmografia do Tim, reparem como as cores ficam presas praticamente ao ''preto-e-branco'', com exceção do vermelho vivo, visto principalmente no sangue (o pôster acima, já dá uma ideia sobre isso). Méritos para a Fotografia de Dariusz Wolski. A direção de arte é, claro, igualmente bela e notável, tal qual as interpretações, com destaque para Helena e Johnny (que acabou até ganhando uma indicação ao Oscar). Portanto, não há como dizer que Burton ''caducou'' em seus filmes mais recentes, mesmo depois de Alice... Nota: 9/10
8. Amnésia (Memento, 2000)

O terceiro filme de Christopher Nolan (dos ótimos ''A Origem'' e ''Batman - O Cavaleiro das Trevas''), e o que lhe rendeu os primeiros bons olhares no mundo cinematográfico, já mostrava que esse homem não era um diretor e roteirista qualquer. Aqui já encontramos a fórmula mágica do diretor: entretenimento com conteúdo. A história é simples: Leonard (Guy Pearce) busca encontrar o assassino de sua mulher, até aí tudo certo, tudo normal... o problema é que ele possui perda de memória recente, ficando dependente das anotações dos dias anteriores para saber onde sua ''investigação'' havia parado. Certo, pensa que acabou aí a inventividade do roteiro dos irmãos Nolan? Não mesmo: o filme se passa inteiramente de ''trás para frente'', observando sempre o ponto de vista do personagem, ou seja, nem ele nem nós, meros espectadores, sabemos o que ocorreu no dia anterior! Merecidamente indicado à Melhor Roteiro e Melhor Montagem no Oscar, o filme é realmente tudo isso que parece ser! Nota: 9/10
7. Moulin Rouge - Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001)

Eu tenho um caso de amor muito sério com esse filme. Dirigido e roteirizado por Baz Luhrmann (de ''Romeu + Julieta''), conta a história de Christian (o chato do Ewan McGregor) que sonha se tornar um escritor, em meio à era boêmia parisiense. Ele acaba conhecendo e se apaixonando pela cortesã Satine (a linda e talentosa Nicole Kidman), porém ela já possuía outros planos: se casar com o ricaço Duke (o eficiente Richard Roxburgh). Em meio à todos os clichês do gênero (e aqui temos uma das qualidades do filme, que não se deixa ficar cafona em momento algum), aparece a excelente trilha sonora, que reúne sucessos de todas as épocas, nas vozes dos atores; a brilhante direção artística, com cenários e figurinos primorosos e, claro, o show de interpretação de Kidman e de outros do elenco, como Jim Broadbent, como o dono do Moulin Rouge, e John Leguizamo, o amigo ''gnomo'' de Christian. Nota: 9/10
6. Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000)

E mais um da série ''primeiro-filme-mundialmente-conhecido-de-um-grande-diretor''. Réquiem é dirigido por Darren Aronofsky (do maravilhoso ''Cisne Negro'') e é uma verdadeira análise do ser humano. A base do roteiro são os vícios que permeiam o homem, representados pelas drogas, comprimidos de emagrecimento e TV. Sara Goldfarb (Ellen Burstyn, em interpretação sensacional e indicada ao Oscar) assiste à TV o dia todo, até que é chamada para a fila de espera de um programa alla Silvio Santos e, então, começa um regime intenso com o apoio de remédios para vestir um vestido que usou há muitos anos. Enquanto isso, seu filho, Harry (Jared Leto), é viciado em drogas e passa o dia injetando com amigos. Nesse contexto absurdo, porém real, o filme vai se desenvolvendo, com a ajuda de uma trilha conhecida de todos (ouçam!) e uma direção inovadora e impecável. O final é absolutamente fantástico! Nota: 9/10
5. Dogville (idem, 2003)

Lars Von Trier. Lars Von Trier. Podem decorar esse nome, porque eu vou falar MUITO dele por aqui. Também pudera, é um dos meus diretores favoritos (e um daqueles que em uma conversa sobre, eu viro fã alucinado e chato). Depois do sucesso de ''Dançando no Escuro'' (um maravilhoso musical com a Björk), em 2000, Von Trier lançou Dogville. E nele, utilizou os conceitos do Manifesto Dogma 95, que impunhas certas, digamos, limitações ao diretor. A história é, teoricamente, simples: Grace (mais uma vez, Nicole Kidman), está fugindo da máfia quando encontra uma pequena cidade e nela acaba ficando, em troca de prestar favores aos seus moradores. Aí entram as tais limitações: o filme não possui cenário algum! Se passa em um palco com algumas delimitações quanto à ''onde seria o quê'', por meio de traços no chão. Não há paredes, não há nada além disso. E nessa ''loucura'' toda, Trier desenvolve o filme, mostrando, por meio dos seus aclamados simbolismos, a maldade do ser humano. Uma aula de cinema. Nota: 9/10
4. O Pianista (The Pianist, 2002)
Mais um filme sobre o Holocausto, mas dessa vez o ponto de vista é outro e a direção é do mestre Roman Polanski (de ''O Bebê de Rosemary''). Wladyslaw Szpilman é um pianista polonês, de nome complicado de se falar, que contou em sua auto-biografia como foi todo o processo da Segunda Guerra para um judeu, desde as primeiras restrições até o fim do conflito. O livro foi adaptado à tela de maneira espetacular por Polanski, mostrando, sem qualquer tipo de manipulação para mexer com o emocional, como foi o Holocausto. Acompanhamos o filme sempre lado a lado do pianista, passando pela separação de sua família, até o seu derradeiro fim. A espetacular interpretação de Adrien Brody, que lhe rendeu o Oscar, é digna de nota, não só pelas transformações físicas (o emagrecimento durante o filme é absurdamente visível), mas também pela grande carga emocional. Ganhador de três prêmios da Academia, incluindo Melhor Diretor, é a obra máxima de Polanski. Nota: 9/10
3. Kill Bill: Vol. 1 (Idem, 2003)

A farofada pop-tarantinesca: minha definição para Kill Bill. Tudo começa quando a 'Noiva' (Uma Thurman), sobrevive a uma chacina, organizada por Bill e seus assassinos de elite, no dia de seu casamento. Porém, ela entra em coma e ao acordar, após longos anos, vai em busca da vingança. O que separa o filme do lugar-comum é algo bem simples: Quentin Tarantino. As inúmeras referências pop, dos Westerns de Leone até o giallo italiano e passando pelos filmes de ação japoneses, são mixadas e transformadas em um grande filme. Os exageros técnicos, como o ''sangue-mangueira'' que sai dos braços decepados pela Noiva, a sequência em P&B e a ''luta de sombras''; casam perfeitamente com os diálogos sempre imperdíveis e a direção precisa de Tarantino. Destaque para a maravilhosa trilha (o assobio ''Bernard Herrmanniano'' da linda Daryl Hannah como enfermeira no hospital já é um clássico) e também para o elenco de apoio, com Lucy Liu, Michael Madsen e a já citada Daryl, o grande destaque. Nota: 10/10
2. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009)

Já deu para perceber que eu sou absolutamente fã do Tarantino, né? E esse, para mim, é o seu melhor filme. Nada de ''Pulp Fiction'' ou ''Cães de Aluguel'', eu tenho que concordar com o Quentin, essa é a sua obra-prima. O filme segue por duas vertentes: a de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), sobrevivente da execução de sua família pelo Coronel Hans Landa (o magnífico Christopher Waltz) e a dos Bastardos, grupo americano liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), que extermina soldados alemães de uma maneira bem peculiar. A cena inicial da execução da família já mostra que se trata de um filme de Tarantino, com uma mise en scène espetacular e um diálogo fabuloso, em que Waltz mostra todo o seu talento, que lhe rendeu o Oscar de Ator Coadjuvante. Ambas as vertentes acabam por se juntar no cinema de Shosanna, onde um filme será exibido para o Terceiro Reich, e quando dois planos para matá-lo entram em ação. Um autêntico ''novo filme de Quentin Tarantino''. Nota: 10/10
1. Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (Lord of the Rings: The Return of the King, 2003)

Pronto, desapontei muita gente. Joguem as pedras. A história, todo mundo conhece: Frodo (Elijah Wood) tentar destruir o Um Anel, enquanto o que restou da Sociedade do Anel busca lhe dar tempo para concluir a missão e também proteger o mundo das tropas de Sauron. Tá, e aí você me fala, três filmes enormes para jogar um anelzinho em um vulcão? SIM! Três filmes enormes que criaram a trilogia mais épica de todos os tempos. O que dizer da batalha nos Campos de Pelennor? Das acrobacias de Legolas diante do Olifante? E do clímax final que nos leva ao êxtase, tanto na resolução para os hobbits, quanto para os homens? Tudo é épico, tudo é gigantesco, tudo é megalomaníaco, bem como a grande obra de Tolkien merecia. A trilha de Howard Shore nos causa arrepios instantâneos (chegada dos exércitos de Rohan, oi?), os efeitos visuais da Weta estão ainda melhores e as interpretações não ficam para trás, não. Um épico monumental, vencedor de onze Oscars altamente merecidos. Nota 10/10
P.S.1: Para os desinformados, a década de 2000 acaba em 2009, ok?
P.S.2: Não, eu não assisti a todos os filmes da década que passou, portanto, pode ser que aquele filme que você ama, eu não tenha visto (ou tenha, enfim), então, comente, pergunte, etc.