terça-feira, 4 de setembro de 2012

Análise - O Cinema Mundial (Parte I): O Público e Suas Consequências


    Durante uma aula expositiva sobre África, entramos numa discussão quanto à imagem que temos de determinado país ou região. Normalmente é uma imagem unidimensional e superficial. ''Vendida'' a nós como se fosse uma verdade. Esse tipo de falsa ideia tanto pode estar agregado às nações africanas, quanto às asiáticas, americanas... E também é perfeitamente agregável ao cinema como um todo.

    Se quando estudamos a História da humanidade nos é despejada toda a cronologia de acontecimentos na Europa, e quase nada sobre as outras regiões; na sétima arte também fica facilmente perceptível a predominância de um dos vários pólos produtores no campo cinematográfico: o dos Estados Unidos, sintetizado por Hollywood. A maioria dos filmes em cartaz nas grandes redes é de lá, portanto é de lá que saem os produtos que mais serão apreciados pelo público em geral.

    Público em geral esse que é denominado numa análise mais ''técnica'' como o tal do ''espectador-médio'': aquele cara que entra na sala de projeção depois de ter passado algumas horinhas no shopping com a família e apenas desejando relaxar e se divertir. E a principal crítica que tenho a esse tipo de público não é por esse ''objetivo'' (é mais do que correto querer um pouco de diversão!), o problema é a falta de senso crítico que essa maioria apresenta.

    Normalmente a análise feita sobre um filme é curta e simples: ''gostei'' ou ''não gostei''. Não que seja necessário ter todo um conhecimento técnico e tecer longas críticas, um maior discernimento do que lhe estão vendendo já seria mais do que satisfatório. E isso também vale para a música, literatura e para a História! É como a diferença entre se acomodar com a versão unidimensional e mentirosa, ou buscar a verdadeira realidade de tal povo ou de tal momento histórico.

    A falta de senso analítico ocasiona, infelizmente, o sucesso financeiro de filmes massacrados pela crítica especializada e o fracasso de grandes obras (cujos diretores podem nunca mais ter uma chance). Cresce o interesse nas comédias românticas quase sempre idênticas, n'Os Mercenários que tem como condição para aproveitá-lo o desligamento do cérebro... Por conseguinte cai o interesse no cinema clássico, no cinema inventivo... 

    Esse problema tem duas grandes consequências igualmente importantes: a monopolização do mercado cinematográfico e uma falsa imagem de que ''acabou a criatividade'' nos filmes. Sendo que a primeira é de simples visualização: além da diminuição da variedade de gêneros populares, os que estão em alta são majoritariamente produzidos pela indústria norte-americana. Somando isso ao fato de que os atores mais conhecidos fazem parte desta indústria, o monopólio está quase todo consumado. 

    Enquanto Hollywood domina a maioria do mercado mundial, o restante fica com as exceções. Os coadjuvantes mais populares num panorama global são Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Espanha; e que são bem coadjuvantes mesmo (desconsidere os britânicos aí e... vai me falar que você não estranha quando a língua do filme não é o inglês?!). Numa visão mais regionalizada, dá para citar Índia, Japão, Nigéria, China...

    Já a segunda consequência dos espectadores ''não seletivos'' é mais prática, porém menos observada. Já ouvi algumas vezes: ''filme agora é só adaptação de livro'', ''cinema tá tudo igual''... Não é verdade! Se o cinema hollywoodiano só produz obras semelhantes, é porque é o que público em massa paga para ver! Mas e o resto do mundo? Será que essa situação é mundial? Não, não é.

    Uma prova casual disso é um fenômeno que acontece com a maioria dos cinéfilos: ver nas suas listas de favoritos do ano muitos filmes ''não americanos''. Ainda há muitas obras excelentes sendo lançadas por todo o mundo: o cinema não estagnou. Para ficar preso a exemplos mais conhecidos:  O Segredo dos Seus Olhos (Argentina), A Pele que Habito, O Labirinto do Fauno (Espanha), Melancolia, Em um Mundo Melhor (Dinamarca), A Queda!, A Vida dos Outros (Alemanha), Medos Privados em Lugares Públicos, Entre os Muros da Escola, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Cópia Fiel (França), A Viagem de Chihiro (Japão), A Separação (Irã), entre outros...

    Pesquise, procure, se informe. Não estou dizendo que eu seja um grande exemplo quanto a isso: minha experiência ''estrangeira'' é infinitamente menor em relação à com os hollywoodianos; mas eu estou correndo atrás desse atraso. Vá aos cinemas de rua, use a Internet, saia da zona de conforto e encontre o mundo que existe após a cortina do superficial e unidimensional.

(...)

P.S.: Os cinco maiores produtores mundiais de filmes são, já em ordem; Índia, Nigéria, EUA, Japão e China.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Crítica - Marcas da Violência (por Gustavo Hackaq)


    E aí, em meio a esse meu hiato de textos no blog, mais um ótimo texto cedido pelo digníssimo Gustavo Hackaq. Gostaria de dizer que concordo com cada letra aqui postada e que a minha nota para a obra é 5 (porém eu gosto de outros filmes do Cronenberg, ok?).

   “Dar notas a filmes” não é uma ciência exata, obviamente. É uma das artes mais subjetivas que existem, obviamente novamente. ''Marcas da Violência'' foi o filme definitivo para cimentar essa tese na minha cabeça.

   Para não enrolar muito, o filme conta a história de um homem que tem a loja assaltada e acaba matando os assaltantes. Depois disso, é perseguido por outros homens nos seus clichês carros lustrosos, óculos escuros e ternos impecáveis, que dizem que ele não é quem afirma.

   Desde o primeiro segundo do aparecimento dos mafiosos, nós já sabemos que eles falam a verdade e o protagonista (Viggo Mortensen, aproveitando o hype em torno de sua atuação em ''O Senhor dos Anéis'') é um mentiroso. Todos os lugares-comuns do “eu sei quem você é, por isso não finja”, que funcionava muito bem até nos filmes do Hitchcock (''Intriga Internacional'', por exemplo) são terríveis aqui, e repetidos à exaustão. E a atuação de Mortensen não convence em momento algum (é até engraçado ver, quando ele finalmente assume sua real identidade, tentar mudar a forma de atuar para mostrar, pateticamente, o outro eu).

   O filme também é usado para mostrar a exemplar cultura norte-americana, com os filhos da América comendo seus usuais cereais com leite; as líderes de torcida levando o namorado escondido para sua casa (essa cena pelo menos é boa) e tentando fazer silêncio, afinal, como já vimos em mil filmes de terror, os pais dela estão dormindo no quarto ao lado; as rivalidades fúteis geradas por baseball; os valentões aterrorizando os mais fracos em meio de palavrões entre os corredores com armários escolares etc etc etc etc. E, no caso, a violência, abusada aqui (e que nunca choca, não graças ao excesso de sangue que vemos atualmente; filmes violentamente bons, ''Irreversível'', para citar algum, choca com facilidade), mas de forma besta e plástica (convence em termos de efeitos-especiais, mas é artificial) é outro símbolo cultural do país, todavia nem isso soa “culto” ou “profundo”, apesar de inúmeros expectadores do filme acharem os adjetivos entre aspas anteriores no âmago do filme ou sabe lá onde.

   Olhando o título original da fita, 'A História da Violência', vemos o quão pretensioso ele é. Com um título desses esperamos um estudo aprofundado sobre a psique humana naturalmente e essencialmente violenta, porém nada disso consta. É tudo banal. Tem justificativa? Sim, tem, mas e?! É essa a pergunta que fica, “e daí tudo isso?”. Fora que todas, eu repito, TODAS as ações e acontecimentos são previsíveis até a estratosfera. O telefone toca *é um dos caras da vida dele de verdade e vai o chamar pra ir à Filadélfia*; ele chega em casa *ninguém fala com ele, mas a filhinha será a única*, e é exatamente isso que acontece, só para exemplificar algumas cenas.

  Para fechar unindo à minha ideia inicial, vejo este filme com notas ótimas e sendo chamado até mesmo de “obra-prima”, para meu total assombro. Talvez eu tenha problemas, ou, sem pretensão, se possível, seja o contrário.         Nota 4/10

domingo, 22 de abril de 2012

Como tirar o pó do pote de pipoca em mais sete dias! (22/04)

  NOS CINEMAS 


1. Um Método Perigoso (A Dangerous Method, 2011)


   A introdução desse post já mostra um dos enfoques dele: a análise humana. Dirigida pelo cultuado David Cronenberg, a cinebiografia de Carl Jung e Sigmund Freud - e de sua conflituosa relação - não deixa de ser um prolongamento das teorias dos dois homens. Intrínseca à apresentação da história de ambos está uma análise psicanalítica dela, por parte do diretor. Cinematografica e ideologicamente relevante. Nota: 8/10


Espaço Unibanco, 14h / 16h / 18h / 20h / 22h; Kinoplex Itaim 14h20 / 16h40 / 18h50 / 21h e Cine Sabesp, 14h30 / 16h30 / 19h / 21h30.


   NA TV


1. Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)


    Não que todo mundo já não tenha assistido-o, depois de todo o caso de amor que a maioria da população mundial teve com ele. Apesar desse seu culto na parcela semi-aculturada das pessoas se trata de um filme charmoso, eficaz e com uma história leve e bonita. A mensagem do filme é o de menos, tamanha a sua beleza, tanto na composição, quanto na realização. Crítica aqui. 
Nota: 8/10



Dia 22/04, 20h20, no MAX.


2. Kick-Ass: Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010)


   Um filme pop-cult para mixar a listinha, e talvez o melhor deles. Kick-Ass é um super-heroi adolescente com nada de super. Referências pop's, muita violência, humor negro e diversão pontuam bem o longa de Matthew Vaughn. Hit-Girl is the new Beatrix Kiddo!

Nota: 8/10


Dia 22/04, 22h, no Telecine Action.




3. Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, 2004)


   A origem da famosa história do Peter Pan, as ideias surgindo na cabeça de James M. Barrie em meio a muitos outros dramas. Ótimo filme, com boas interpretações e momentos marcantes. Serve para comprovar que Johnny Depp tem talento também para papéis ''normais''.  Nota: 8/10



Dia 23/04, 13h10, na HBO Family.




4. Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010)


   Um dos mais primários sentimentos humanos sendo explorado explicitamente: o luto. Ninguém reage igual a ele, muitas vezes a reação chega a ser incompreensível. Bonito em sua concepção e bem realizado na prática, com Nicole Kidman e Aaron Eckhart dando show. Nota: 8/10



Dia 23/04, 22h, no Telecine Premium.




5. Monster - Desejo Assassino (Monster, 2003)


   Alguns filmes nascem para ser um estudo de personagem. A trama e todo o resto são meros coadjuvantes num trabalho focado na psicologia humana. Um deles é este aqui, intensificado pela história particularmente cativante e promissora: a história real de uma serial killer americana. Uma das melhores atuações que eu já vi, de Charlize Teron! Nota: 8/10



Dia 23/04, 23h50, no Telecine Touch.


6. A Rede Social (The Social Network, 2010)


    A biografia moderna e menos engessada, por David Fincher. Mais do que a história do criador do Facebook - magnificamente vivido por Jesse Eisenberg -, uma análise (opa!) da nova geração. Edição, roteiro e atuações aprimorados pelo belo trabalho de Fincher. Um tanto frio, um tanto obra-prima. Nota: 9/10


Dia 25/04, 16h10, na HBO HD.




7. Incêndios (Incendies, 2010)


   Dando uma variada, mas não muito grande: conflito familiar em meio à crise árabe-israelense. Um longa que vale pela sua meia hora final, belíssima e com excelentes diálogos. Mas até lá, é no máximo mediano. Seus problemas residem muito na heterogeneidade da trama política em relação ao drama familiar, mesmo que interligados; e na lentidão exagerada.  Nota: 7/10


Dia 27/04, 19h35, no Telecine Cult.

sábado, 31 de março de 2012

Como tirar o pó do pote de pipoca em 7 dias! (31/03)

     Ei, você que está com dó das suas pipocas Yoki vencendo no armário e do pó dos potes para as tais (e do blog, claro): seção nova! Vencendo a preguiça e todos os obstáculos impostos, eu procurei alguns filmes que vão passar na TV essa semana, e no cinema, e farei algumas indicações. Assistam e depois venham me xingar - ou agradecer - pelas dicas.

Vá ao cinema!

1. Shame (idem, 2011)

     O novo filme de Steve McQueen é fantástico, e não há como não indicá-lo. A história é do ninfomaníaco Brandon (Michael Fassbender, brilhante) e sua relação com o dito vício e com a vinda de sua irmã depressiva, Cissy (Carey Mulligan), para o seu apartamento. A ótima direção casa perfeitamente com o bom roteiro, incisivo e transcendental. Uma obra humana e imperdível. Nota 9/10
No Espaço Itaú: 14h/16h/18h/20h/22h e Espaço Unibanco Pompeia:14h20/19h10.




2. Drive (idem, 2011)

     Para mim que Ryan Gosling foi o ator do ano, e é aqui que fica seu maior brilho. A mistura eficiente de Carga Explosiva com Taxi Driver - com seu toque de originalidade, claro - remete à minha parte favorita do cinema: o dissecar das personalidades humanas. Há também toques de Tarantino na direção, em geral, e uma trilha extremamente apropriada e pontual. Um pequeno grande filme nesse fraco ano de 2011. Nota 8/10
Cinemark Cidade Jardim: 12h35/15h/17h50/20h20/23h.





     Amacie o sofá da mamãe!

1. O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006)

    O longa de Guillermo del Toro já tem crítica aqui no site e é um filme que eu gosto muito. A indicação é ainda maior por estar passando no horário nobre da TV Aberta, então go! A excelência técnica e narrativa merecem grande destaque, em um filme lírico por natureza e que conta a aventura da jovem Ofelia, em meio à Guerra Civil Espanhola, em um mundo obscuro e assustador. Nota 8/10

    SBT: 31/03 22h45.






2. Triângulo do Medo (Triangle, 2009)

    Um dos filmes mais legais de todos os tempos de se assistir! Não que seja assustador - o conceito dele não é terror e a indústria brasileira sempre erra em nomes -, não que seja uma obra-prima do gênero, mas é fantástico! Um argumento genial, desenvolvido razoavelmente (apenas alguns furinhos ali pelo meio e fim) e superior à qualquer coisa que tenha surgido do gênero suspense inteligente nos últimos anos. Vale, e muito, à pena acompanhar o grupo de amigos que, após o naufrágio de seu barco, entram em um navio estranho e supostamente vazio. Nota 8/10
    Telecine Action: 01/04 14h05


3. Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989)

    Sabe aqueles momentos que tudo que a gente quer assistir é algo que nos anime e encoraje a seguir nosso caminho? Esse é um desses. De uma forma diferente, pois há partes majoritariamente tristes, mas pela sua totalidade, é. Da época em que Robin Williams ainda fazia cinema (bom), é uma obra cheia de carpe diem e que encanta pela simplicidade e esmero com que trata os conflitos de um grupo de adolescentes, estudantes de um rígido colégio, e que se tornam amigos de seu liberal professor de Literatura. Nota 9/10
    Telecine Cult: 01/04 17h45.



4. Ed Wood (idem, 1994)

    A cinebiografia do ''pior diretor de todos os tempos''. Disso que fala Ed Wood, um dos primeiros filmes de Tim Burton, e com a parceria eterna com Johnny Depp engatinhando. Bem humorado e pontualmente emocionante, o longa discorre a carreira do excêntrico diretor: seus filmes mal-feitos, a parceira com ícone do terror Bela Lugosi e a busca pelo sucesso. Bem atuado, bem dirigido, bem roteirizado e um dos melhores de Burton. Nota 8/10
    Telecine Cult: 01/04 22h / 03/04 19h40.





5. Zumbilândia (Zombieland, 2009)


    E quem não gosta de filmes de zumbi? Pois é, e acompanhando a era das adaptações pop para os mais diversos gêneros (Kick-Ass, Scott Pilgrim...), veio esse Zumbilândia. Muitíssimo bem-vindo. O roteiro é inspirado, com momentos cômicos para a ''geral'' e para públicos mais específicos e conhecedores do gênero zumbi. Adrenalina, risos e diversão; e não se esqueça das regras para um futuro próximo. Nota 8/10
    MAX HD: 01/04 22h / 04/04 20h25




6. Quase Famosos (Almost Famous, 2000)


    Um dos filmes que eu mais tive vontade de assistir. Mistura de road movie, rock e adolescência é algo bem atrativo e Cameron Crowe realiza um bom trabalho ao contar sua vida; tanto no roteiro, quanto na direção. William (Patrick Fugit); filho de uma mãe super-protetora (Frances McDormand), acompanha uma banda de rock iniciante pela estrada e começa a descobrir o mundo real. O início é bem instigante e a atenção já está presa à tela desde quando a personagem de Zooey Deschanel, irmã de William, sai de casa. O clima é muito bem construído e ali você já está amando o filme. Nota 8/10
    Max Prime: 04/04 17h45.

7. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)

    Indicar Kaufman é comigo mesmo, então: assistam! Falar da criatividade, originalidade, excelência na escrita e propriedade do roteirista é desnecessário. A fama que possui já é suficiente. A adaptação das batidas comédias românticas com ficção científica é primorosa. Jim Carrey prova mais uma vez que deveria ser ator dramático mais vezes, Kate Winslet se reafirma como grande atriz e a química entre eles é ótima. Simbolismo, climatização e cirurgia de retirada de memória: é isso aí! Nota 9/10
    Telecine Cult: 05/04 18h30.

sexta-feira, 2 de março de 2012

News! News! (IV)

   Depois de um bom tempo de sumiço (que aposto que não fez falta para ninguém), o blog retorna. Já viajei (até quarta passada), já descansei, já enrolei... e então, o post de volta das cinzas será aquele bem preguiçoso.


    TRAILERS


    De trailers mais recentes saíram, respectivamente, os da sequência do chatíssimo ''Meu Malvado Favorito'', a refilmagem (e alongamento) do curta ''Frankenweenie'' (de Tim Burton e por Tim Burton) e do novo filme dos realizadores de ''Coraline e o Mundo Secreto'', ''ParaNorman''.


                                             Estreia em julho de 2013.


                                            Estreia em outubro de 2012.


                                           Estreia em agosto de 2012.


    IMAGENS


    Imagens bem legais e cheias de expectativa de ''Dark Shadows'' - mais um do Tim Burton. Johnny Depp devidamente caracterizado como Barnabas Collins, além de Eva Green, Michelle Pfeiffer e Helena Bonham Carter.







    ETC





  • Lady Gaga será uma das alienígenas de ''Homens de Preto III'', segundo Will Smith. E aquele participação no faroeste do Tarantino sai ou não, hein?
  • A adaptação do livro ''O Símbolo Perdido'' ganhou diretor e roteirista novos. Nenhuma relação com os dois longas anteriores sobre Robert Langdon. Na minha opinião: mais ou menos com Ron Howard, pior sem ele.
  • O capítulo final da trilogia ''Centopeia Humana'' unirá os dois maníacos dos longas anteriores. Escatologia em dobro.
  • ''Os Muppets'' ganhará uma sequência. Mesmos diretor e roteirista.
  • Emma Watson estará no próximo filme de Sofia Coppola. Eterna Hermione?
  • O filme baseado na série ''24 Horas'' mostrará um Jack Bauer fugitivo e tentando salvar a própria pele, e não mais todo o país - isso segundo Kiefer Sutherland, o protagonista.
  • Em Hong Kong, será lançado o primeiro filme pornô em 4D. Ele faz parte de uma série de filmes, sendo que o anterior já fora em 3D e recordista de bilheteria na ilha - maior do que Avatar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Crítica - Os Descendentes


    Alexander Payne é um diretor e roteirista que possui um estilo único. Seu modo de mesclar drama, comédia e dilaceração de um protagonista é invejável. Tanto em ''Sideways - Entre Umas e Outras'', quanto em ''As Confissões de Schmidt''; esses meio são bem explorados e em ''Os Descendentes'', essa configuração não se altera.
    
    O personagem a ser dissecado - e que está no caminho da auto-descoberta - é Matt King (George Clooney), um proprietário de terras, herdeiro da 'família real' havaiana, que viaja pela sua terra natal em busca do amante de sua mulher, a qual está em coma - próxima à morte já anunciada pelos médicos -. Nesse misto de dor pela perda iminente da esposa e pela traição recém-descoberta, Matt tem também que aprender a conviver com as suas duas filhas: a rebelde adolescente Alexandra (Shailene Woodley) e a pequena Scottie (Amara Miller). A jornada em busca do tal amante, por fim, se torna uma jornada para a auto-descoberta e para a união de uma família tão afastada ou, como o próprio protagonista diz, semelhante ao Havaí e suas diversas ilhas, uma longe da outra.


    Uma sub-trama interessante do longa também ilustra isso: os primos de Matt vivem todos separados uns dos outros, portanto, cada um em sua ilha - ilhas essas que o protagonista já não consegue (ou se esforça para) juntar. É o conceito de família despedaçado. ''Temos o mesmo sangue, porém só nos damos à honra de conversar quando é sobre dinheiro''. Todo esse contexto passa quase despercebido durante o filme, o que é uma pena.


    Falando nas sub-tramas de ''Os Descendentes'': ele possui muitas. Como o 'namorado' da filha mais velha de Matt - totalmente dispensável-, que só aparece para causar risos (ou vergonha alheia) e para passar uma lição de moral bem barata lá para o final. Outra delas é a do sogro do personagem de Clooney, indignado pela perda da filha e que culpa seu genro a todo instante pelo que aconteceu a ela - só serve para balançar ainda mais a frágil estrutura familiar dali -. Dá para mencionar também o ambiente familiar de Brian Speer (Matthew Lillard), o amante, que é mais importante e bem-desenvolvido do que as outras acima e que acaba por nos surpreender com boas performances do próprio Matthew e de Judy Greer (principal e estranhamente).


    Falando das interpretações, o grande destaque é mesmo George Clooney - não que esteja arrasador -, todavia está eficiente e brilha em diversos momentos. Também dá para lembrar de Shailene Woodley, que é uma boa surpresa em uma atuação segura. Os já citados Matthew e Judy também dão credibilidade ao elenco.


    A adaptação de Payne para o romance de Kaui Hart Hemmings não deixa de ser eficiente, não deixa de ser interessante, não deixa de ser reflexiva... Mas, diferentemente do ponto de vista dele apenas como filme, fica a decepção pelo fato do diretor já ter feito melhor com essa estrutura de história. A nota é mais pelo ponto de vista cru mesmo: a visão de um drama quase depressivo, que nos encanta pelo bom humor e pela análise humana notável.     Nota: 8/10


P.S.: É legal lembrar que, em um outro filme ambientado no Havaí, fomos introduzidos à frase ''Ohana quer dizer família. E família quer dizer nunca abandonar ou esquecer''.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Crítica - O Artista



    ''O Artista'' pode ser visto - e analisado - de muitas formas. No senso comum, um filme em P&B e mudo é o cúmulo da chatice; para outros é a nostalgia. É claro que existem outros pontos de vista, mas, no fim das contas, quase todo mundo acaba se agarrando à alguma dessas duas visões. Portanto, é razoável dizer que aqueles que se prestem a assistir a esse longa possuem uma aceitação cinematográfica mais 'abrangente' e pertencem ao segundo grupo de pessoas que citei. Levando isso em consideração, as análises do filme apareceriam de três formas: ''é ruim, e por tentar ser uma homenagem se enfraquece mais'', ''é sem personalidade por homenagear 'demais''' ou ''é excelente e ser uma homenagem realça-o ainda mais''. Tendo a ficar com a terceira forma.


    O filme, dirigido por Michel Hazanavicius, percorreu uma longa estrada desde o Festival de Cannes até as suas dez indicações no Oscar. Nessa entrada, acumulou excelentes críticas e o favoritismo para a premiação da Academia, o que é perfeitamente justificável: se trata de uma obra que se encaixa muito bem no contexto das premiações. Uma homenagem ao cinema mudo, praticamente esquecido com a chegada do som nos anos 20. Uma homenagem que há muito tempo não vinha. 


    A história não deixa de ser um 'remendo' de ''Cantando na Chuva'' com ''Crepúsculo dos Deuses'': George Valentin (Jean Dujardin) é um famosíssimo ator que cai no total esquecimento com a chegada do som à sua produtora, no fim dos anos 20. Em contraponto, Peppy Miller (Bérénice Bejo) vê sua carreira deslanchar após trabalhar em um dos últimos filmes de George. Essa oposição de situações 'fracasso/sucesso' é muito bem utilizada por Hazanavicius: em uma cena, ele desce a escada de um prédio, enquanto ela sobe; ele se senta no lado mais 'escuro' do restaurante, e ela no mais 'claro; além da óbvia situação de o novo filme dela ter filas na porta e o dele ser apresentando num cinema quase vazio.


    Uma das principais qualidades do filme é a forma como encara sua situação de homenagem e retrato cômico da época; e como impõe isso inteligentemente na sua estrutura. A já 'clichê de todas as críticas' cena inicial em que nos é mostrado um dos filmes de George, em que ele - capturado pelo vilão - diz: ''Não vou falar!'' (referência a algo do tipo: esse filme é mudo, sim!); o minúsculo papel de Malcolm McDowell (o Alex, de Laranja Mecânica), denunciando o esquecimento dos outrora grandes atores; o nome de Peppy crescendo aos poucos nos créditos de cada filme seu, entre outros exemplos. Estrutura brilhantemente dirigida e roteirizada por Hazanavicius.


    Além disso, ''O Artista'' se apóia nas boas atuações de seus atores, destacando o expressivo Jean Dujardin e a eficiente Bérénice Bejo. Desconhecidos, porém bons nomes. Outros pontos positivos são os mais técnicos, como Figurino e Direção de Arte que reconstroem bem o ambiente da época. A Trilha Sonora (é ela quem anda de mãos dadas conosco durante a mudez do longa), que pontua com mais uma homenagem ao usar a trilha de ''Um Corpo que Cai'', também se destaca - tal qual sua ausência, em um momento chave.


    É uma grande homenagem, porém por si só ''O Artista'' já é um ótimo filme, que brilha em diversos pontos. Mais um deles, e que também merece recordação, é o pequeno cachorro de George, responsável pelas melhores cenas cômicas. Por fim, depois de tanta nostalgia, a boa cena final passa o traço e encerra o filme. Encerra um culto à imagem sobreposta ao som, à pirotecnia. Não que não seja 'bom' termos os efeitos especiais atuais, porém é divertido relembrar às vezes da qualidade do cinema em suas origens.    Nota: 8/10

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

News! News! (III)

    Coluna de volta! Trailers recentes, imagens recém-divulgadas, Awards e as mais novas informações no mundo do cinema.

    TRAILERS

    Como, claro, todo mundo ficou sabendo, nessa semana saíram os trailers de ''Os Vingadores'', ''O Espetacular Homem-Aranha'' e ''O Legado Bourne''.

                                   ''Os Vingadores'' estreia dia 4 de maio. Meu presente de aniversário.

                                                    O novo ''Homem-Aranha'' estreia dia 3 de Julho.

                                       O quarto episódio da franquia ''Bourne'' estreia dia 3 de Agosto.

    IMAGENS

    Um ator de ''Django Unchained'', o faroeste de Quentin Tarantino que será lançado no Natal, divulgo duas fotos do cenário do filme:


                                                Já deu para acordar a ansiedade total para o longa.

    AWARDS


    Saíram os vencedores dos Visual Effects Awards. Vamos aos principais prêmios:

  • Melhores efeitos visuais: ''Planeta dos Macacos: A Origem''
  • Melhores efeitos visuais complementares: ''A Invenção de Hugo Cabret''
  • Melhores efeitos visuais em animação: ''Rango''
    No total, ''Rango'' liderou a premiação com quatro vitórias. Em seguida, ''Planeta dos Macacos'', ''Hugo'' e ''Transformers'', com duas estatuetas. Os dois primeiros se configuram, realmente, como os grandes favoritos ao Oscar.



   

ETC


  • Natalie Portman (de ''Cisne Negro''), Christian Bale (o Batman) e Cate Blanchett (de ''Elizabeth'')  estão confirmados para os dois próximos filmes de Terrence Malick, diretor de ''Árvore da Vida''. 
  • No primeiro, ''Knight of the Cups'', contracenarão com Isabel Lucas; já no segundo, ''Lawless'', ganharão o (excelente) apoio de Ryan Gosling (de ''Tudo Pelo Poder'') e Rooney Mara (de ''Millennium'').
  • O novo filme-solo do Wolwerine enfim ganhou data de estreia: 26 de julho de 2013. Melhor que o ''Origins'' não é difícil, hein?
  • John Williams: 80 anos de idade, 55 de carreira e 47 indicações ao Oscar. Mestre.
  • Russell Crowe pode ser o Robocop, no filme do brasileiro José Padilha. Só que eu acho que a barriguinha ficaria um pouco apertada na armadura...
  • Segundo Andrew Kosove, produtor da sequência de ''Blade Runner'', Harrison Ford não fará parte do projeto. O motivo: ele não gosta do original.
  • E quando o Brasil é indicado ao Oscar de Melhor Canção novamente, na figura de Carlinhos Brown, por ''Real in Rio''; não teremos as típicas apresentações musicais por parte dos indicados. Sem batuque na cerimônia.
  • Por último e não menos importante: Daniel Radcliffe vem se especializando em fazer declarações desnecessárias. Primeiro, disse que não conversa mais com Rupert Grint após o fim das filmagens de ''Harry Potter''; depois, anunciou que, em várias cenas, atuou bêbado: ''posso apontar várias cenas em que eu não estava lá''. 
  • Na última da vez reclamou que a Academia ''esnobou'' a franquia Harry Potter. Sobrou até para Scorsese e ''Hugo'', que supostamente não possuem tanto merecimento quanto a saga. Menos, menos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Crítica - Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

    Acho importante deixar bem claro uma coisa, antes de começar a crítica: não li os livros de Stieg Larsson - mas pretendo -, tampouco assisti à versão sueca. Portanto, essa análise é mais de um espectador 'pego de surpresa' e que, além de pontuar as qualidades cinematográficas do longa, também discorrerá sobre a história em si.


    ''Millennium'' marca a volta de David Fincher ao seu 'melhor' tipo de cinema. 'Melhor' porque é onde ele mais se dá bem, dirigindo excelentes filmes mais focados nos gêneros Policial e Suspense: ''Clube da Luta'', ''Se7en'' e ''Zodíaco''. Obras de atmosfera pesada, personagens marcantes e situações extremante particulares - que revelam um lado mais dark da sociedade -. Falar sobre todas elas seria tirar o foco, todavia gostaria de dizer: ainda bem!. Nada contra ''A Rede Social'', por exemplo, que é um grande filme; entretanto é nesses gêneros que Fincher se sai melhor.


    O desenvolvimento da trama é baseado, principalmente, no desaparecimento de uma garota - herdeira de uma família sueca, tradicional e poderosíssima - há muitos anos. Mistério esse que unirá o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara), que são contratados pelo 'magnata' Henrik Vanger (Christopher Plummer), responsável outrora por todas as empresas da família. Mikael está sem dinheiro, descredibilizado e com seu jornal à beira da falência; após perder um processo contra um milionário, criticado em uma de suas colunas. Por isso aceita a oferta da tal investigação 'no Pólo Norte', como diria a sua amante, Erika (Robin Wright). Já Lisbeth, é uma jovem tutelada pelo Estado por causa do seu comportamento, digamos, explosivo. Já conhecida pelos contratantes suecos (ela investigou a vida de Mikael, antes da 'contratação' dele), entra no caso por pura 'diversão'.


    Apresentações feitas, já dá para começar a crítica propriamente dita. E que tal os créditos de abertura como ponto de partida? Sim, porque eles são fantásticos! Repleto de detalhes, enigmático e lindo; desde já você já não quer tirar os olhos da tela (e não crie esperanças, isso se manterá pelo resto de sua duração). A trama é introduzida calmamente, partindo do processo contra Mikael e da investigação de Lisbeth sobre o próprio. Somos apresentados aos problemas familiares de Mikael e também às crises de Lisbeth, e depois ao mistério da menina desaparecida. O jornalista e a hacker só se conhecem, de fato, depois de um bom tempo. Aqui, exemplifiquei a primeira grande qualidade de ''Millennium'': seu roteiro. Ele discorre com muito brilho; os personagens são complexos e bem esculpidos e os diálogos muito bem colocados. Tudo, claro, apoiado na excelente direção de Fincher, na montagem eficaz, na fotografia marcante e na trilha sonora maravilhosa.


    Falar do roteiro e da complexidade dos personagens, sem dedicar um parágrafo à Lisbeth seria - muito - incompleto. A garota que tentou matar o pai aos doze anos, cheia de piercings, com uma grande tatuagem de dragão (ah, vá!), que não cumprimenta ou olha nos olhos de alguém, vingativa e que diz o que pensa. Já seria fascinante. Porém, há Rooney Mara. Com um trabalho extremamente bem feito; humanizado e assustador. A fascinação pela personagem é ainda maior, beira à obsessão, para saber mais sobre ela - passado, presente, futuro e sua mente; tudo -. Salander é uma grande personagem, e Mara captou bem a sua essência.


    Como Lisbeth, o visual do filme também é impressionante. A sensação de estar assistindo à um filme nórdico, e não americano, é constante. 'Culpa' de Fincher que encontrou uma boa medida para a frieza e suspense dali (aproximando-se de ''O Escritor Fantasma'', de Polanski). A habilidade da direção de arte é, portanto, digníssima de nota. Além disso, a qualidade do diretor também recebe apoio de outro departamento - que já citei, até - o de Fotografia. O casamento de ambos rende cenas memoráveis, como a 'vingança' da hacker e o clímax final da trama da garota desaparecida (que já havia se tornado algo bem maior que isso).


    Com atuações também eficientes de Daniel Craig e Christopher Plummer, ''Millennium'' é mais um grande filme de Fincher. Bom saber que sequências virão, que as livrarias terão de me vender os livros de Stieg Larsson e que Rooney Mara foi indicada ao Oscar. E para o fim, o epílogo, que demonstra que realmente o principal das 2h30 de filme é Lisbeth Salander e que a trama da menina desaparecida, está mais para sub-trama.    Nota: 9/10

domingo, 5 de fevereiro de 2012

News! News! (II)

    Na segunda edição vocês perceberão que essa seção aqui tá bem mais para TV Fama que qualquer outra coisa. Enfim: trailers, vencedores da temporada pré-Oscar, imagens e notícias.

    TRAILERS

     Estão aí, o terceiro trailer para ''Jogos Vorazes'' e o teaser de ''Os Vingadores'' (derivado do comercial para o Super Bowl de logo mais). O primeiro estreia no dia 23 de Março, e o segundo, dia 27 de Abril.

                                                                          ''Jogos Vorazes''

                                                                         ''Os Vingadores''

    IMAGENS

    Saíram novas imagens da aguardadíssima primeira parte de ''O Hobbit''. Na primeira, Bilbo (Martin Freeman) ao lado dos anões; já na segunda, ele com a sua Ferroada (dada a Frodo por ele mesmo em ''A Sociedade do Anel''). Estreia no Brasil em 14 de Dezembro.




    PRÉ-OSCAR

    Quem gosta de acompanhar as premiações sabe que ficando de olho nos ganhadores dos prêmios das Guilds específicas, a possibilidade de você acertar bastante no bolão é grande. Então, tomem nota:

    Art Directors Guild Awards (Direção de Arte): 

  • Melhor Direção de Arte em filme de época: ''A Invenção de Hugo Cabret''
  • Melhor Direção de Arte em filme de fantasia: ''Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2''
  • Melhor Direção de Arte em filme contemporâneo: ''Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres''
    Configura-se aí o duelo para o Oscar de Direção de Arte. Um dos três sairá vencedor, e Hugo e Harry Potter correm na dianteira.


    



Annie Awards (o Oscar das animações)

  • Melhor Filme: ''Rango
    Alguma dúvida quanto a qual animação ganhará?

    Producers Guild Awards

  • Prêmio Darryl F. Zanuck (aka Melhor Filme): ''O Artista''
    Será que, no fim, ''O Artista'' levará os dois prêmios principais? ''Os Descendentes'' e ''Hugo'' estão logo atrás.

    Directors Guild Awards

  • Outstanding Directorial Achievement in Feature Film (aka Melhor Diretor): Michel Hazanavicius, por ''O Artista''
    Substitua os filmes do meu comentário anterior pelos seus respectivos diretores.

    Screen Actors Guild Awards
  • Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, por ''Histórias Cruzadas'' -> OH, NO!
  • Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, por ''Toda Forma de Amor'' -> Esperado.
  • Melhor Atriz: Viola Davis, por ''Histórias Cruzadas'' -> Esperado e digno. Mas Streep está querendo esse Oscar, e sua atuação em ''A Dama de Ferro'' deve valer, e muito, o ingresso.
  • Melhor Ator: Jean Dujardin, por ''O Artista'' -> E aí, Clooney? Você era o favorito...
  • Melhor Elenco: ''Histórias Cruzadas'' -> Seria merecidíssimo, não fossem Spencer e a sombra de esse ser o 'prêmio de Melhor Filme', no caso desse sindicato.
   
ETC



  • A imagem ao lado é de Steve Carrell no longa ''Burt Wonderstone''. A história de dois mágicos rivais de Las Vegas conta também com Jim Carrey, Olivia Wilde e Steve Buscemi.
  • Rumores dizem que ''Jackie Brown'', de Quentin Tarantino, ganhará um prequel dirigido por Dan Schecjter. É esperar para ver.
  • O brasileiro Selton Mello recusou um convite de J. J. Abrams para participar de ''Star Trek 2''. Ele disse que ficaria deprimido dentro de uma nave. Vai entender.
  • O quinto longa da saga ''O Exterminador do Futuro'', que marca o retorno de Arnold Schwarzenegger à telona, ganhará uma classificação de +18. E que venha muito sangue.
  • Matthew Vaughn foi confirmado como diretor da sequência de ''X-Men: Primeira Classe''. Expectativas a mil.
  • E por último e para dizer adeus: ''Tropa de Elite 2'' não passou a temporada em branco, não. Foi indicado pelo Sindicato dos Editores de Som em Melhor Edição de Som: Efeitos Sonoros e Diálogos em Longa em Língua Estrangeira. É isso aí.

Crítica - Histórias Cruzadas


    ''Histórias Cruzadas'', que chamarei aqui de ''The Help'', o título original, por um motivo que mais para frente explicarei; não é um bom filme. Poderia ser, mas não é. Muita gente talvez vá achar isso, mas não é. A razão para isso é sua concepção totalmente equivocada, trazida de um livro homônimo de Kathryn Stockett. Equivocada, por quê? Porque não prega a igualdade racial, como esperado. É um filme racista. Maniqueísta. Encaixe o adjetivo que desejar.


    As 'histórias que se cruzam' são as da jornalista Skeeter (Emma Stone), que tem como sonho escrever um livro; e as das empregadas negras de sua cidade natal, no estado do Mississippi. Um Mississippi da década de 60, marcado pela segregação racial - regulamentada por lei - e pela violência contra os negros. O ambiente estava ali, pronto para um bom filme. Só que o resultado ficou aquém, bem aquém. Tão aquém que, para citar qualquer ponto positivo do longa, você, necessariamente, precisa introduzir algum negativo.


     Num primeiro exemplo: o elenco de ''The Help'' é um dos melhores do ano, sim! Viola Davis (indicada ao Oscar), como a doméstica Aibileen, faz um trabalho absurdamente sensível e expressivo - é uma das melhores atrizes atuais -; entretanto, a empregada é um estereótipo forçadíssimo. A mulher 'sofrida' e sozinha é desenvolvida pelo roteiro de uma forma tão engessada quanto possível. Um milagre interpretativo de Viola. Culpa de Tate Taylor. Uma outra grande atriz também salvou uma personagem fraca: Jessica Chastain (indicada ao Oscar também). 


    O papel da 'patroa liberal' Celia Foote, nas mãos de uma qualquer, sairia apenas uma mulher irritante e fútil. Jessica a eleva a muito mais do que isso. Poderia citar também Bryce Dallas Howard - que aqui seria algo como 'o mal em pessoa' -, a qual humaniza muito bem a manipuladora e criadora da lei do 'banheiro-exclusivo-para-empregadas-negras-em-todas-as-casas' Hilly Holbrook. Ou então Emma Stone que dá toques sutis de personalidade para a rasa escritora Skeeter; ou Sissy Spacek (*-* Carrie *-*), ou Allison Janney, sei lá. Todas, menos Octavia Spencer.


    Sim, Octavia, favorita para Atriz Coadjuvante - e ganhadora da maioria dos prêmios na ''área'' - é a pior atriz entre todo o elenco. A pior porque não sai do estereótipo, ela o mantém e o piora ainda mais. Ela é a negra 'mano' da história: direta, sincera e explosiva; em que lembra muito Queen Latifah - até por ter uma indicação ao Oscar injusta -. Sua função, cumprida com razoável sucesso, é fazer rir. Nos momentos dramáticos, decepciona (principalmente numa cena com Celia, em um banheiro). Ah, e essas cenas cômicas aí, que mencionei; nenhuma delas deriva da maldita torta de merda, ok? Uma das coisas mais absurdas (você confundiria merda com chocolate?) e desnecessárias dos últimos tempos - e que impera nos tais momentos cômicos da obra. Na última meia-hora todos os personagens fazem algum comentário irônico sobre a malfada torta.


     Bom, já expliquei minha teoria de que qualquer ponto positivo daqui acaba virando um negativo, né? As interpretações são fantásticas, todavia as personagens 'cruas' são fracas. ''The Help'' faz rir, numa tentativa clara de torná-lo um feel good movie para a digestão da temática ser menos 'dolorosa'; no entanto falha miseravelmente nisso, na parte final. Então agora explico porque é como ''The Help'' que prefiro chamá-lo.

    Não é pela tradução literal 'A Resposta', numa alusão à uma resposta das empregadas negras às patroas brancas conservadoras. E sim por um tradução 'não oficial', como 'A Ajuda' mesmo. Aparentemente o filme nos diz que as negras daquela cidadezinha apenas conseguiram se reerguer e enfrentar a 'tirania' depois que uma branca lhes dá um suporte, lhes 'ajuda'. Pode parecer exagero meu, talvez seja mesmo. Porém onde está Martin Luther King, relegado à uma passagem mínima de um discurso seu na TV? Naquela exata época ele liderava a busca por direitos civis para os negros, só que quem inspirou essas empregadas foi uma mulher branca e não ele?


    Ah, e a KKK, hein? Uma menção mínima - ima, ima - e já está bom? Mais uma vez Tate Taylor (e talvez a escritora do livro original também tenha feito o mesmo) ignora o contexto histórico. A trama parece alheia ao resto do país, ao resto do estado Mississippi. Enfim, cheguei á conclusão de que ''The Help'' é muito bem interpretado de modo geral, porém porcamente roteirizado. O saldo final é negativo e irritante; mas pelas atrizes - e unicamente por elas- a nota não será mais baixa.      Nota: 5/10

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Crítica - A Centopeia Humana (por Gustavo Hackaq)

    Gente, novidade no blog! O meu amigo, cinéfilo e que escreve os melhores textos de toda a crosta terrestre, Gustavo Hackaq, enviou essa 'colaboração' para o blog. E é a primeira de muitas. \o/






    Algum tempo atrás, ouvi de uma amiga a história do filme ''Centopeia Humana'' e fiquei abismado. Não poderia ser crível a existência de um filme com tal teor, mas, vendo os filmes que brotam da terra com seus roteiros absurdamente mórbidos, como ''O Albergue'' e sua über fábrica de tortura, aquilo poderia mesmo existir. Então fui atrás para saber se tal história era real.

    Tom Six, o diretor, roteirista e editor do filme (com conceitos morais duvidosos) conta a história do Dr. Joseph Helter (Dieter Laser, um home que nasceu fadado a um propósito: ser psicopata em algum filme), um renomado e recluso cirurgião especializado na separação de gêmeos siameses (“Aposentado, mas ainda conhecido como o melhor”). Depois de tentar, e falhar, uma cirurgia nunca antes feita e criada pelo próprio com seus “queridos três cachorros” (enterrados em seu quintal com uma linda lápide), ele decide tentá-la com animais maiores: seres humanos. É aí que entra Lindsay (Ashley C. Williams) e Jenny (Ashlynn Yennie), duas turistas nova-iorquinas que estão de passagem pela Alemanha. Numa noite nebulosa, as duas, numa floresta escura e densa, conseguem a proeza de furar o pneu do carro no meio do nada. Com direito a um morador local pervertido e celular fora de área, a clichêlandia parte pela floresta em busca de alguém para ajudá-las (e ainda começa a chover). Onde ambas vão parar? Na luxuosa casa/hospital do Dr. Helter, como moscas farejando o pote de mel. Lá, o doutor trata logo de dopá-las para iniciar a cirurgia do século.

    Caçando – essa é a palavra – outro turista, agora um japonês (Katsuro – Akihiro Kitamura), o ensandecido doutor começa a explicar a cirurgia para as três vítimas. Basicamente ele vai costurá-las umas às outras, boca ao ânus, e, formar assim uma criatura tripla com um único sistema digestivo. Uma centopéia humana. E ainda cortar os tendões dos joelhos para que os três não possam se levantar e fugir. Tudo isso foi milimetricamente planejado pelo doutor e a cirurgia começa. Quando termina – numa cena maravilhosamente iluminada – ele a leva para a sala para poder, entre lágrimas e fotografias para a posteridade, ver sua criatura perfeita viva.

    Six conduz tudo com poder e convencido de que está fazendo uma obra de arte. Seu sadismo não conhece limites, e ele joga cenas tanto cômicas (o japonês, ou a parte da frente da centopéia, mordendo a perna do doutor) quanto asquerosas (a “alimentação” das duas outras partes, por meio das fezes do japonês). A fotografia em tons sóbrios e neutros faz da fita um projeto bem anos 90, como percebemos nos créditos – tanto iniciais quanto finais – dando o exato tom que o filme necessitava. Dr. Helter é um dos melhores e mais deliciosos psicopatas do cinema independente dos últimos tempos, muito bem interpretado por Laser. As partes da centopéia já merecem parabéns só pela posição em que atuam (imaginem-se atuar com o rosto enfiado entre as nádegas de outro ator e/ou vice-versa).

    No título original há o subtítulo First Sequence (“Primeira Sequência”), ou seja, ainda teremos muito mais centopeias rastejando pelo mundo. E, se depender de Six, seus filmes fofos vão dar dor de cabeça a muita gente ainda. É a escatologia que move tudo (e essa faceta funciona maravilhosamente bem), todavia, é inevitável nos perguntarmos: de onde diabos Tom Six teve a ideia de costurar pessoas pelo traseiro para formar uma centopeia??? O filme em sim pode ser considerado trashorror, cult e – os termos mais usados – nojento, repugnante, asco e lixo. Só não se esqueçam: lixo é luxo.     Nota: 6/10


100% medically accurate.


    Mais textos da criatura: aqui. E o Twitter é @hausofgust. Enjoy.

Crítica - As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne


    Nos últimos meses, o nome de Steven Spielberg vem sendo bastante citado. E não era para menos, o homem trabalhou em 2011! Produziu ''Super 8'' (crítica aqui), o novo Transformers e ''Gigantes de Aço'', e dirigiu ''Cavalo de Guerra'' e esse filme, adaptação dos quadrinhos do francês Hergé. Além, é claro, de alguns outros trabalhos.


    Como todos sabemos, diversão é com ele mesmo e ele cumpre muito bem essa 'responsabilidade' aqui. A sua aventura pelas animações; utilizando da técnica de captura de movimentos, já tão expandida no cinema; se configura um filme competente e uma das grandes derrapadas do Oscar, preterindo-o por um filme ruim como ''Carros 2'', num ano já ruim para o lado dos animadores (o uso da técnica supracitada é a mais provável causa para a não-indicação).


    A história é simples e fácil: o jovem detetive Tintim (Jamie Bell) e seu cachorro Milu juntam-se ao estranho e bêbado Capitão Haddock (o brilhante Andy Serkis) na busca por um grande tesouro, escondido em meio ao passado de um barco que afundou e que era capitaneado por um antepassado de Haddock. Básica, um fiapo e tudo mais, porém tudo o que ela consegue render é para se tirar o chapéu e nem ligar muito para isso.

    Vamos falar o que o filme tem de melhor: a técnica de animação. ELA É LINDA, FANTÁSTICA, COMO EU NUNCA VI IGUAL. Sim, até nos mínimos-imos-imos-imos detalhes, ela é maravilhosa! Pequenas gotas de suor, textura de pele, pelos da sobrancelha... Tudo está ali, visível e chegando tão perto da realidade (esqueça Avatar e lembre-se para sempre da parte no deserto e na África). O CGI como deve ser usado e usado por quem sabe, né Spielba?


    Além disso, as sequências de ação são divertidas, emocionantes e muito bem dirigidas; empolgam bastante. Outros pontos positivos e que vale recordar são as eficientes partes cômicas, a boa trilha de John Williams e as saltitantes referências à outros clássicos do diretor: Indiana Jones (claríssima), Tubarão... Nostálgico, hilário e adorável.


    Entretanto, como eu já havia dito, o roteiro é bem básico (até demais), o que lhe enfraquece um pouco. Isso sem contar a ingenuidade (bobice, para ser exato) excessiva de alguns momentos, que destoavam de um filme que aparentemente foi feito para crianças 'nem-tão-pequenas-assim'. A sensação que fica é a de uma diversão passageira, um deslumbre técnico e decepção por aquele final tãão anti-climático.           Nota: 7/10